11 de julho de 2026
Política

Lançamento do vice esquenta jogo político e reflexos ainda são incógnita

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Faltando exatos três meses paras as eleições, a notícia de que o vice-prefeito Orlando Costa Dias (PSC) é pré-candidato a  deputado federal em futura dobradinha com a mãe da prefeita Suéllen Rosim (PSC), Lúcia Rosim (PSC), movimentou a política de Bauru nesta semana. Ainda mais porque a divulgação inicial foi feita pela prefeita, em suas redes sociais.

Uma das principais considerações feitas após o anúncio é o quanto ter a mãe em campanha para a Assembleia Legislativa pode contribuir com a estabilidade política do governo e da prefeita, que se defende de uma Comissão Processante (CP). Ou, ainda, o quanto as futuras campanhas de sua mãe e de seu vice-prefeito podem tornar mais frágil a vidraça pública de Suéllen Rosim.

Sobre este assunto, os debatedores do programa Café com Política desta sexta-feira (1), economista Reinaldo Cafeo, jornalistas Ricardo Bizarra, jornalista João Jabbour e o especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos, conversaram com Thiago Munaro, advogado no escritório Leal e Leal, de Bauru; diretor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Bauru) e professor de Direito Empresarial na ITE e Unip Thiago Munaro.

Pelo aspecto jurídico, questionado por Reinaldo Cafeo sobre rumores que circulam nos bastidores de que Orlando Dias renunciaria, em solidariedade, se Suéllen fosse cassada, Thiago Munaro ponderou que, neste momento, o lançamento da pré-candidatura de Orlando Dias torna a situação complexa, pela incompatibilidade que ele enfrentaria caso tenha de assumir o cargo de Suéllen, na possibilidade de ela ser cassada. "Estar no cargo de prefeito de Bauru é incompatível com uma candidatura ao Legislativo. Ele poderia ser candidato na qualidade de vice-prefeito. Como prefeito, teria de deixar o cargo para concorrer. Agora, a prefeita, por exemplo, se decidisse ser candidata a deputada estadual ou federal, teria que renunciar ao cargo. A mesma coisa se aplicaria ao caso de o doutor Orlando assumir a prefeitura", explicou o advogado.

Cafeo questionou o convidado sobre possibilidades, em caso de cassação da chefe do Executivo e renúncia de seu vice. "Assumiria o presidente da Câmara, ele seria prefeito em exercício e estaria obrigado a convocar uma eleição. Se, em tese, a prefeita for casada até o dia 31 de dezembro deste ano (dois primeiros anos de mandato), haveria uma eleição direta (com voto popular), ou seja, o presidente da Câmara permaneceria no cargo até as eleições, com qualquer pessoa filiada a partido podendo se candidatar. Se for eventualmente cassada a partir de 1 de janeiro de 2023, a eleição seria indireta, qualquer um pode ser candidato, mas quem votaria para escolher o novo prefeito seria os 17 vereadores", afirmou Munaro.

Pelo viés político, Jabbour avaliou como uma demonstração de lealdade à prefeita e à chapa que os elegeu a concordância de Orlando Dias em concorrer ao lado de Lúcia Rosim nas eleições deste ano. "Em política isso não é tão comum. Mas ele saiu em apoio a ela, tem criticado a CP e se lança a deputado deixando uma posição que lhe era muito confortável, como vice apenas...".

Após passar por quatro Comissões Especiais de Inquérito (CEIs) e agora enfrentar uma CP, do ponto de vista estratégico, com o lançamento da pré-campanha de sua mãe, para Kleber Santos a imagem da prefeita de Bauru vai depender do andamento da CP. "Isso acaba arranhando a imagem política. Lançar sua mãe e o seu vice demonstra que o grupo está unido, é isso que ela quer projetar. Mas o momento é complicado, porque ela está no meio de um embate dificílimo", avaliou.