11 de julho de 2026
Geral

Entre as piores invasoras do mundo, leucenas prejudicam áreas em Bauru

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

De cima do Viaduto Mauá, que liga a Vila Falcão ao Centro, uma longa fileira de árvores se estende às margens da linha férrea e também do Rio Bauru. Com seis metros de altura, em média, e uma farta quantidade de vagens marrons, chama atenção o fato de que, embaixo do arvoredo, quase nada cresce. Trata-se de um corredor de leucenas, vegetação presente na lista das 100 piores espécies invasoras do mundo. Segundo especialistas, ela prejudica tanto a flora quanto a fauna local. Em Bauru, elas também podem ser facilmente encontradas no vale do Córrego Água Comprida, perto do Sambódromo e também próximo às Chácaras Odete. Uma lei municipal proíbe seu plantio, mas faltam ações preventivas para controle da população.

"Ela cresce muito rápido. Por ser pioneira, precisa de bastante luz para sobreviver. E produz uma grande quantidade de vagens o ano inteiro, isso faz com que, embaixo dela, se forme um enorme banco de sementes. Vão germinando e ocupando espaços de outras plantas. Por isso, o manejo é difícil", explica Luiz Carlos de Almeida, diretor do Jardim Botânico de Bauru.

Nativa da América Central, a leucena passou a ser cultivada para produção de ração animal, mas sua rápida propagação e empobrecimento do meio ambiente transformaram a planta em "vilã" (leia mais abaixo).

TÓXICA

Ainda segundo Almeida, a espécie possui duas características que a fazem levar vantagem sobre outras. A primeira é um mecanismo alelopático, que ocorre quando uma substância fitotóxica é liberada, afetando a germinação e o crescimento de demais vegetações. A segunda é o fato de ser uma leguminosa e, dessa maneira, conseguir se desenvolver mesmo em terrenos com solo pobre.

"Além de prejudicar a flora, ela também impacta na fauna. Como ela reduz a biodiversidade, há menos oferta de alimentos nos corredores ecológicos", explica. Sem comida, animais acabam se deslocando para áreas urbanas, enfrentando riscos de atropelamento ou outras ameaças.

MEDIDAS

Municípios como Salto e São Sebastião implantaram programas para controle e erradicação da leucena. Já em Bauru, não há uma ação permanente para combater a espécie invasora. "Não temos equipes suficientes para isso. Em áreas públicas, pedimos a remoção das leucenas para a equipe de poda da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma). Se for em área particular ou na calçada, notificamos o proprietário para ele substituir por outra árvore apropriada", explica Daniel Contieri Rolim, diretor do Departamento de Zoobotânica da Semma.

Ainda segundo Rolim, a pasta também tem suprimido os exemplares conforme cumpre Termos de Ajustamento de Conduta (TAC), removendo árvores quando faz uma obra ou intervenção e replantando espécies nativas no lugar. "Vamos fazendo aos poucos, é uma forma de controle. Em julho, vamos remover leucenas da nascente do Córrego Água Comprida, nas Chácaras Odete. Havia uma erosão ali, que já foi corrigida, e, agora, vamos tirar as plantas da margem".