São Paulo - O temor de recessão generalizada voltou a incomodar os mercados e afundou o preço do petróleo nesta terça-feira (5), contrariando expectativas de alta devido às pressões inflacionárias que a guerra na Ucrânia impõe sobre a matéria-prima.
No mercado internacional, o preço de referência do barril da matéria-prima em estado bruto desabava 9,33% no encerramento do dia, a US$ 102,91 (R$ 554,61).
A queda desse tipo de petróleo, classificado como Brent, pode chegar a US$ 65 (R$ 350,30) em caso de recessão global liderada pela desaceleração da economia dos Estados Unidos, segundo avaliação do Citigroup, reportada pela Bloomberg.
O contexto desfavorável às commodities levou para o fundo as duas principais empresas da Bolsa brasileira.
As ações preferenciais da Petrobras, as mais negociadas neste pregão, caíram 3,81%. Os papéis ordinários da petroleira despencaram 4,27%. As ações ordinárias da mineradora Vale fecharam em queda de 0,50%.
Esses resultados contribuíram para a queda de 0,32% do Ibovespa, índice de referência da Bolsa, que fechou com a pontuação de 98.294.
DÓLAR EM ALTA
Em resposta ao risco, investidores buscaram ativos ligados ao dólar, provocando forte valorização da moeda americana.
No mercado de câmbio do Brasil, a divisa estrangeira subiu 1,16%, a R$ 5,3870, a sua maior cotação desde 28 de janeiro.
"O retorno dos negócios nos Estados Unidos [após o feriado] encontrou uma sessão de aversão a risco global nos mercados, com os temores com uma reação agressiva dos bancos centrais e uma consequente recessão pesando nos preços das bolsas e das commodities", comentou Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura. "Não é uma prescrição animadora para o Ibovespa", disse.