10 de julho de 2026
Política

PEC de benefícios pode influenciar no resultado das eleições, se houver tempo

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 2 min

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria uma série de benefícios a famílias carentes brasileiras e que o Governo Federal pretende aprovar na Câmara dos Deputados na próxima terça-feira (12) é uma demonstração da determinação do presidente Jair Bolsonaro (PL) de angariar apoio popular para sua reeleição. A PEC é o maior tema da eleição neste momento e pode ou não alterar os resultados das pesquisas e influenciar na eleição. É uma corrida contra o tempo

Para o advogado Pedro Henrique Fiorelli, formado pela PUC/SP, com Mestrado em Direito Empresarial pelo Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, com MBA Internacional em Economia e Gestão pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o efeito do pacote de bondades, como vem sendo chamada a PEC, vai ter impacto nas eleições, mas deve demorar a chegar aos seus beneficiários, o que pode ameaçar a estratégia.

A análise foi feita em entrevista ao programa Café com Política, transmitido pela 96FM em parceria com Jornal da Cidade/JCNET.

No programa desta sexta-feira (8), o economista Reinaldo Cafeo, e o jornalista Ricardo Bizarra, apresentadores, além do diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, e do especialista em marketing político e comunicação eleitoral Kleber Santos, também analisaram como anda a disputa eleitoral para o Governo do Estado de SP.

"LULA PAI, BOLSONARO

PADRASTO"

No pacote apresentado pelo governo estão o aumento do valor de parcelas do Auxílio Brasil (para R$ 600), voucher-caminhoneiro (R$ 1 mil), auxílio taxistas, ampliação do vale-gás, entre outras medidas. Na análise de João Jabbour, o público beneficiado também impacta sobre o resultado esperado do pacote das bondades já que, de acordo com pesquisas recentes, a maior parte ainda relaciona ao ex-presidente Lula a criação de programas assistenciais como esse. "O grande mote da campanha, o grande fator decisivo deve ser a questão econômica, a fome, e o presidente Bolsonaro tenta suprir isso e trazer para si a paternidade do Bolsa Família, agora Auxílio Brasil. Mas, segundo as pesquisas, 71% dos eleitores que usam este benefício atribuem ao Lula a paterniado do auxílio. Lula é o pai e Bolsonaro seria o padrasto", comenta.

O grande impacto que uma medida como essa tem eleitoralmente se explicaria, de acordo com Kleber Santos, devido à forma paternalista como o cidadão vê o governo. "48% dos brasileiros acreditam que cabe ao governo resolver os problemas das pessoas, enquanto a média mundial é de 16,5%", indicou.

O comportamento do governo federal, Congresso e Judiciário frente ao País e às demandas sociais foi analisado por Fiorelli com uma analogia a um computador. "Hoje temos um hardware presidencialista que roda num software parlamentarista, e as grandes tensões que temos hoje são porque cada um não está confortável no espaço que tem. Então, temos um Congresso que busca cada vez mais espaço dentro do orçamento, ou seja, um Legislativo que quer executar, e um Executivo que busca legislar por medidas provisórias. E entra o Judiciário como terceiro que tutela os dois", avaliou.