08 de julho de 2026
Internacional

Ucrânia prepara contraofensiva

FolhaPress
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Kiev - A Ucrânia tem dado cada vez mais sinais de que pretende iniciar uma contraofensiva no sul de seu território, área hoje majoritariamente controlada pela Rússia. O aviso mais recente veio neste fim de semana por meio do ministro da Defesa Oleksii Reznikov: "Temos cerca de 1 milhão de homens para defender o sul".

A fala, em entrevista ao jornal britânico The Times, foi interpretada com ceticismo por analistas militares, mas vem na esteira de outras declarações que pedem aos residentes da região que partam dali, citando que contra-ataques são iminentes.

Kherson, uma das principais cidades portuárias do país, foi a primeira a cair sob o controle de Moscou, no início do conflito, no final de fevereiro. Reznikov alega que, com ordens do presidente Volodimir Zelenski, a prioridade é retomar áreas ocupadas ao redor da costa do mar Negro, vitais para a economia.

O ceticismo de analistas militares sustenta-se em dois motivos principais. Primeiro, o fato de que seria incomum um dos lados da guerra falar em ações pontuais de contraofensiva, uma vez que isso daria tempo para a reorganização dos oponentes.

Outro fator são os esforços que Kiev tem despendido no leste do território, na porção conhecida como Donbass, onde os ataques estão concentrados. A necessidade de forças deslocadas ao leste faz os números apresentados pelo ministro da Defesa parecerem inflados para uma contraofensiva no sul.

Para resistir à invasão russa, as forças ucranianas têm se apoiado em ativistas e voluntários, alguns dos quais treinados por membros do Batalhão Azov, grupo neonazista parcialmente incorporado ao Exército meses antes da guerra. São vários os casos de combatentes do exterior que se ofereceram para ajudar o país, que chegou a criar uma unidade militar para abrigar voluntários estrangeiros.