10 de julho de 2026
Regional

Do tesouro perdido de Soturna a Arealva, autor lança livro inédito

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

Se antes as histórias do município de Arealva (41 quilômetros de Bauru) eram apenas contadas de forma oral, daqui para frente estas memórias estão registradas no livro "Soturna de ontem Arealva de hoje" para jamais serem esquecidas. O escritor e historiador Nicolau Aparecido Juliano Nicolielo lança, na noite desta sexta-feira (15), às 19h30, no Salão Paroquial de Arealva, a obra rica em relatos, fotos e documentos históricos sobre o povoado de Soturna, datado de 1867, que passou a ser chamado mais tarde de Arealva, em 1949. O livro é resultado de 20 anos de pesquisas e deve ser considerado como patrimônio cultural da cidade.

Arealva possui enterrado, em algum lugar, até hoje desconhecido, um tesouro de um dos descendentes dos seus fundadores. Também se conta que o município quase foi batizado com o nome de Prestópolis. A obra explica essas e diversas outras ricas histórias.

O OURO

Segundo o livro de Nicolau Nicolielo, quando a área ainda era Soturna (anexa a Iacanga), que significa lugar tranquilo, já era famosa pelas produções agrícolas e fumo de corda. O povoado, em 1870, contou com a doação de 10 alqueires de terra da família Prestes, os fundadores do lugarejo. E informam os relatos que, no início do século passado, Nenê Prestes, filho de um dos fundadores, extraiu de garimpos uma quantidade significativa de ouro. Com medo de ser roubado, ele colocou o tesouro em três purungas, enterrou e plantou pés de lima por cima. Segundo notícias da época, Nenê morreu vítima após disparo acidental da própria espingarda, não desenterrando o seu cobiçado tesouro, que permanece perdido.

A OBRA

O livro tem 132 páginas com relatos e curiosidades do município. Entre eles, para orgulho da cidade, está registrado que a primeira pessoa a lecionar em Soturna foi uma mulher negra, Conceição Maria Barbosa. O povoado quase ganhou o nome de Prestópolis na década de 30, em homenagem à família fundadora. Mas, devido à Revolução de 1932, isso não se concretizou. Soturna, inclusive, teve combatentes nos conflitos de 1924, de 1932 e pracinha na Segunda Guerra Mundial.

"Levei muitos anos para publicar o livro porque eu queria provar que a cidade já teve trem passando por aqui. Ninguém acreditava porque não têm vestígios de trilhos. E, por isso, até então, era um mito. Mas eu consegui fotos e documentos que trago no livro. E hoje temos até aeroporto", comenta o autor arealvense.

Hoje, a "Areia Alva", Arealva, nome referente à areia branca às margens do Rio Tietê, tem quatro distritos: Jacuba, Santa Isabel, Marilândia e Ribeirão Bonito. Segundo dados do IBGE (2021), a área territorial é de 506,226 km², mais da metade de Bauru. A população é de 8.665 habitantes.