Brasília - Levado ao Senado pelo ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, o coronel Marcelo Nogueira de Souza afirmou nesta quinta-feira (14) que os documentos entregues pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) às Forças Armadas não comprovam a segurança das urnas eletrônicas contra ameaças internas. A declaração foi dada durante audiência na Comissão de Fiscalização do Senado. O coronel Souza falou por 15 minutos, logo após a fala do general Nogueira.
AUDITORIA
Na quarta-feira (13), o TCU (Tribunal de Contas da União), em decisão unânime, aprovou uma auditoria de técnicos da corte que não identificaram até o momento riscos relevantes à realização das eleições de 2022.
Segundo a análise dos auditores, a estrutura de segurança da informação, de procedimentos e de sistemas do TSE "está muito aderente às boas práticas internacionais".
Mas nesta quinta-feira, em audiência no Senado, o ministro Paulo Sérgio disse que a atuação das Forças Armadas no processo eleitoral deste ano "não tem viés político".
"Não tem 'colocar em xeque ou em dúvida' o que quer que seja. É só apresentar um trabalho. A decisão, aceitação ou não, não cabe a gente, cabe ao TSE, que tem suas nuances de logística, capacidade, recursos. Nós não poderíamos deixar de apresentar esse trabalho."
Aos senadores o ministro da Defesa ainda defendeu que o TSE acolha três sugestões feitas pelas Forças Armadas para aumentar a segurança do processo eleitoral. "Com certeza, essa pressão, essas discussões seriam minimizadas se conseguíssemos isso", disse.
VULNERABILIDADE
INTERNA
Na apresentação, o coronel disse que o TSE adotou, nos últimos anos, medidas que dão "grande nível de proteção" contra ataques externos. "A urna não se conecta à internet, não tem outras ligações. Realmente, uma vulnerabilidade externa é muito difícil", disse.
Mas, 'no que tange à vulnerabilidade interna, até o momento a gente não tem disponível a documentação que nos leve a formar uma opinião conclusiva que a solução é segura em relação a uma ameaça interna", completou.
Segundo o coronel Souza, é possível que um "código malicioso" seja inserido na urna dentro do TSE e burle os testes feitos pela corte eleitoral.