08 de julho de 2026
Saúde

Falta de sono adequado causa aumento de gordura e risco de doenças cardíacas

Bernardo Yoneshigue
| Tempo de leitura: 2 min

U ma noite mal dormida pode trazer prejuízos além do cansaço no dia seguinte. Pesquisadores do Mayo Clinic, nos EUA, descobriram que a falta de um sono adequado provoca aumento de 9% na área total da gordura abdominal e de 11% na gordura visceral. Os resultados foram publicados na revista científica “Journal of the American College of Cardiology”.

As descobertas preocupam os pesquisadores especialmente em relação ao aumento de gordura visceral. Isso porque esse acúmulo ocorre entre os órgãos internos do abdômen e é ligado diretamente a um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares e metabólicas.

“Isso sugere que o sono inadequado é um gatilho previamente não reconhecido para a deposição de gordura visceral, e que o sono de recuperação, pelo menos a curto prazo, não reverte esse acúmulo da gordura”, diz, em comunicado, o professor de medicina cardiovascular do Mayo Clinic, Virend Somers, um dos autores da pesquisa.

Segundo os responsáveis pelo estudo, um dos fatores para dormir menos é o fato de aparelhos eletrônicos e redes sociais terem passado a ocupar uma parte cada vez maior da rotina noturna. A pesquisa envolveu 12 pessoas saudáveis que passaram por dois períodos de análise de 21 dias cada. Os pesquisadores monitoraram indicadores como consumo de energia, gasto energético, peso corporal, composição do corpo, distribuição de gordura e biomarcadores de apetite.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira do Sono (ABS) em 2019 mostrou que 65% dos brasileiros tinham problemas de qualidade do sono. A Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos recomenda que, em média, dos 18 aos 64 anos, o adulto durma de sete a nove horas por dia. O tempo necessário é maior para crianças e adolescentes. "Mas há quem que fique satisfeito com menos de sete horas e os que precisam de mais de nove. O sono é um problema quando tem sintomas que mostram a sua má qualidade, como ronco, sonolência excessiva diurna, dores nas articulações da mandíbula e despertar a noite inteira. É mais importante focar nesses pontos do que na quantidade", explica o doutor em psicobiologia e pesquisador do Instituto do Sono Gabriel Natan.

Ele explica que, para dormir melhor, é preciso acostumar o corpo, porque o cérebro leva um tempo para desacelerar. Afastar-se de fatores estressantes, do excesso de luz e do celular ao menos uma hora antes do horário de dormir é uma boa estratégia.