10 de julho de 2026
Polícia

Explodem casos de 'barrigueiros' nas unidades prisionais de Bauru

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

O sistema prisional de Bauru e a polícia estão em alerta para uma prática criminosa que explodiu neste primeiro semestre de 2022. São os chamados "barrigueiros", presos que, na tentativa de entrar nas unidades com porções de drogas, dinheiro ou mesmo pequenos celulares, ingerem esses itens. Para se ter uma ideia, neste ano, a média é de 16 flagrantes ao mês, quase o triplo do registrado no mesmo período em 2021, quando a média mensal foi de seis casos.

Inclusive, a Polícia Civil, por meio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), trabalha a fim de identificar supostas organizações criminosas que possam estar financiando esses delitos (leia mais abaixo).

De acordo com um levantamento feito pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) a pedido do JC, nos três Centros de Progressão Penitenciária (CPPs) de Bauru, foram, somente neste primeiro semestre, 98 casos de sentenciados que, seja no retorno da saída temporária ou na volta do trabalho externo, acabaram flagrados com drogas ou telefones dentro do corpo. Esse montante já é maior do que o ano passado inteiro, quando foram contabilizados 83 registros.

Na maioria das ocorrências, o detento consegue expelir os produtos. Contudo, há casos mais graves, em que é necessário passar por procedimento cirúrgico. Nestes primeiros seis meses de 2022, 12 reeducandos foram operados em hospitais da cidade para retirar os ilícitos.

FLAGRANTES

Um dos casos recentes ocorreu no CPP-2 "Dr. Eduardo de Oliveira Vianna" no mês passado e chamou a atenção pela quantidade de flagrantes de uma única vez. Conforme o JC noticiou, no retorno da última saída temporária, quase 30 "barrigueiros" foram descobertos por agentes da unidade, sendo que seis precisaram passar por cirurgia e um foi até parar na UTI. Apenas neste presídio, aproximadamente 2 mil presos contam com o benefício da "saidinha".

Fernando Henrique de Melo Santana, diretor do CPP-2, avalia que os detentos têm, geralmente, três motivações para tentar entrar com os ilícitos. "A primeira é visando o retorno monetário por comercializar o item lá dentro. A segunda é para uso próprio. E terceira é tentar introduzir o item no presídio objetivando o pagamento de dívidas que têm dentro ou fora da unidade", explica.

Ele pontua, ainda, que os objetos mais comuns de serem apreendidos são minicelulares e seus acessórios - carregadores, chips telefônicos e fones de ouvido -, entorpecentes e dinheiro em espécie.

MOTIVOS

Para o diretor do CPP-2, o aumento no número de flagrantes é resultado de uma mudança de estratégia de fiscalização dos policiais penais (anteriormente conhecidos como agentes penitenciários) e do investimento no trabalho de inteligência dentro das unidades prisionais. Com isso, intensificou-se a revista, principalmente naqueles reeducandos que, com base em informações privilegiadas, são classificados como de maior potencial em serem "barrigueiros". Além dessa vistoria, os agentes também verificam periodicamente as celas das penitenciárias.

Agora, a tendência, ainda segundo Santana, é de que os números se estabilizem ou até diminuam nos próximos meses, considerando que o aumento de apreensões tem um efeito "educativo". Inclusive, os agentes continuam trocando informações com a Polícia Civil para que possíveis financiadores desse tipo de prática sejam identificados.

"As apreensões desestimulam novas tentativas, porque, de imediato, quando os presos são flagrados, eles retornam para o regime fechado e acabam transferidos. Mas, se continuar aumentando, usamos outro tipo de 'remédio' para sanar a questão", completa o diretor.