Nos Bombeiros, o objetivo de treinar constantemente é estar preparado para situações reais, afinal frequentemente vidas estão em jogo durante as ocorrências. Na manhã deste domingo (17), esse argumento ganhou contornos ainda mais concretos. Enquanto 15 profissionais participavam de um treinamento, simulando um acidente de trânsito com vítima presa às ferragens, outras duas equipes foram acionadas para atender um capotamento na rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Arealva, com quatro vítimas. A ocorrência ainda está em andamento, mas informações preliminares dos próprios bombeiros indicam que nenhuma delas corria risco de vida.
Já na simulação, realizada em frente à sede do Comando de Bombeiros do Interior (CBI), na avenida Odilon Braga, uma vítima presa às ferragens inspirava bastante cuidado, principalmente pela posição na qual se encontrava dentro do carro, considerada de difícil acesso, pois o veículo havia capotado e estava apoiado em um segundo automóvel. Para tanto, a equipe precisou primeiro estabilizar o conjunto, evitando qualquer deslocamento durante a ação, o que em situações reais pode significar um bombeiro ferido e até mesmo mais danos à saúde da vítima. Usando fitas para prender cargas e braços mecânicos para sustentar os carros, os bombeiros ‘travaram’ um no outro, evitando então movimentos imprevisíveis. Além disso, toda a área foi isolada e os riscos de incêndio, afastados.
Na segunda etapa da simulação, conforme explica o sargento Daniel Batista da Silva, coordenador da atividade, foi necessário alcançar a vítima para checar o estado de saúde dela e estabilizá-la. Esse é o momento em que os bombeiros verificam a necessidade de estancar um sangramento, por exemplo. Com ajuda de equipamentos, como alicates hidráulicos, a porta do carro foi removida, permitindo o acesso à pessoa ferida. “Em outros casos, precisamos cortar o teto do carro, serrando as colunas. A decisão depende de cada contexto, pois as normas orientam a resgatar a vítima sempre pelo lado para o qual a cabeça está voltada. Seria arriscado puxá-la pelos pés ou pelos braços. Assim, reduzimos os riscos de provocar ou agravar lesões na coluna”, explica Silva.
Com o uso de uma prancha e protetor cervical, a equipe realiza um dos momentos mais delicados da operação: a remoção da vítima. Com cautela, os bombeiros estabilizam o jovem e retiram-no das ferragens em segurança para, então, entregá-lo aos serviços de atendimento médico. Alexandre Grecco, 20 anos, estudante e bombeiro civil, foi convidado a participar da atividade. “Do lado de dentro você vê muitos detalhes de cada etapa. Percebe o cuidado que eles têm com a posição da cabeça e dos membros, para evitar outros ferimentos. Têm toda uma técnica e responsabilidade envolvidas”, conta o jovem, que estuda para tentar justamente a carreira de Bombeiro.
Além desta, outra ação foi simulada no outro veículo, tombado de lado, na qual o teto do carro teve que ser removido para resgatar a vítima. O treinamento total durou cerca de duas horas.
PRONTIDÃO
Ainda segundo o sargento Daniel Batista Silva, quanto mais preparada a equipe, maiores as chances de sucesso. “É importante para fixarmos todas as etapas do resgate. Assim, conseguimos minimizar o tempo de atendimento e também economizar energia”, explica. No caso, a simulação foi feita antevendo as atividades da Semana Nacional de Trânsito, realizada de 18 a 25 de setembro. Outros treinamento são feitos segundo necessidades sazonais. “Um pouco antes da época de chuvas, fazemos treinos de resgate em enchentes, por exemplo. Ou na estiagem, para combater fogo em mato. O que vemos aqui é resultado de muita teoria”, afirma.