09 de julho de 2026
Articulistas

Extremismo e radicalismo

Arnaldo Ribeiro
| Tempo de leitura: 3 min

Quero iniciar o artigo desse mês fazendo uma referência a um passado não distante, sou (ou somos) do tempo que um início de amizade ninguém perguntava qual a sua religião, qual seu candidato a presidente ou muito menos se somos direita ou esquerda. Sou do tempo que na amizade ou até na inimizade esses pontos de nada importavam. Bons tempos… Estamos a cerca de três meses das eleições para a presidência da república, talvez a mais dura do ponto de vista do extremismo e do radicalismo que já vimos. A morte do policial em sua própria festa de aniversário de 50 anos em Foz do Iguaçu é uma prova disso, e infelizmente não chega a ser uma surpresa, pois a cada dia esse termômetro sobe um pouco mais.

Venho alertando aqui nessa mesma Coluna do Jornal da Cidade há algum tempo sobre esse fenômeno. Escrevi há apenas alguns meses um artigo que falava sobre a necessidade de discutirmos as nossas questões sociais e de infraestrutura, de forma que sejam elaboradas políticas públicas para que possamos melhorar como sociedade. Definitivamente não é isso que vem acontecendo, estamos tendo muitos adjetivos e poucos substantivos…. O grito da "nova política" se calou …. Desculpe a franqueza, mas é hora mais do que nunca dos bons políticos. Façamos juntos esse exercício, pois só assim atingiremos o objetivo maior que o povo brasileiro tanto espera. Sou a favor da investigação mais profunda, é preciso conhecer em detalhes o que realmente ocorreu em Foz do Iguaçu. Mas independentemente do que a polícia vier a descobrir, o fato é que o país anda em um estado de nervos e tensão que não ajuda em nada, só através do sentimento republicano e do diálogo é que iremos elevar nossa Pátria.

As eleições 2022 caminham a passos largos para um "nós contra eles". Não duvide que nos próximos dias vejamos jornalistas agredidos por reportarem um ou outro fato que um dos lados não goste, brigas em ruas, embate entre militantes com sangue e violência. A possibilidade de ouvirmos falar de mais mortes causadas por extremistas é grande, infelizmente. Sem falar no que se transformou os grupos de famílias em WhatsApp, uma verdadeira ferramenta de desunião, bem ao contrário do seu propósito. Curiosamente, política é a arte de construirmos pontes, inclusive entre grupos com ideias opostas. Sentar-se a mesa com quem pensa de forma oposta é uma necessidade e esse é o exercício da boa política. 3.240 Temos tempo de orar pelo descanso do policial que nos deixou muito novo, com apenas 50 anos, e desejar muita força e paz para a família que o perdeu. Mais do que isso, é hora de entendermos que a perda de qualquer vida é muito mais significativa do que qualquer bandeira partidária.

Torço para que Deus nos dê a sabedoria e serenidade para compreender que não é com extremismo e radicalismo cego que vamos construir o país que precisamos. É com diálogo e projetos concretos que iremos trazer as reais condições de enfrentar a fome, o desemprego, criar oportunidades e melhorar nossa saúde, e assim no final das eleições termos novos horizontes para perfilar e jamais chorar por sangue derramado.

Somos brasileiros, somos todos uma só Nação.

O autor é jornalista/contador e formado em Gestão Pública.