Parar de fumar não é uma tarefa fácil, principalmente porque qualquer derivado do tabaco possui a nicotina - uma droga psicoativa - que ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central, induzindo ao vício. Mas especialistas afirmam que que há técnicas para combater essa dependência, que incluem mudanças na alimentação, prática exercícios e novas rotinas para eliminar os "gatilhos" que levam ao cigarro.
Segundo Paulo Corrêa, coordenador da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia, o tratamento para o fumante precisa ser personalizado, e é necessário verificar o estado psicológico e comportamental do paciente que busca ajuda. Ele orienta que a pessoa que deseja parar de fumar procure uma atividade física de que goste - o que já aumentará o o nível de HDL, o colesterol bom.
"A atividade aeróbica ajuda porque ela previne um pouco a nicotina, tira o apetite, aumenta o metabolismo. A pessoa que para de fumar, tende a ganhar algum peso. Então, a gente estimula a atividade física aeróbica, que vai tanto liberar os neurotransmissores quanto vai dar a sensação de prazer. Você está tirando o prazer artificial (cigarro) e colocando o natural (exercícios)", afirma o médico.
Corrêa lembra que o aumento do apetite é normal para o ex-fumante, mas que se trata de uma sensação temporária. Portanto, ele afirma, é recomendado seguir uma dieta mais leve, evitando carboidrato e gordura.
Os "gatilhos" são adversários diretos para quem quer abandonar o fumo. Alguns estão ligados com alimentação (o exemplo mais comum é o café), outros são relacionados ao ambiente, tanto de casa quanto do trabalho. O pneumologista sugere mudar alguns elementos de lugar para eliminar esses estímulos da memória. "Se você tem um canto da casa em que costumava fumar, troque os móveis de lugar", diz Paulo Corrêa.
SEM GARANTIAS
Por mais que funcionem, as técnicas para abandonar o cigarro não são garantias de eficácia. Por isso, especialistas vivem testando métodos diferentes. É o que relata a professora livre docente da faculdade de medicina da USP e diretora do programa de tratamento do tabagismo do Incor, Jaqueline Scholz. “O indivíduo precisa se esforçar para fumar. Então, se ele quiser beber um café, que beba sentado e, na hora de fumar, que ele tenha que se levantar e pensar.”