Os problemas enfrentados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e a consequente greve de parte dos seus funcionários foram o centro das dos discursos na sessão da Câmara Municipal nesta segunda-feira (25). Mas, durante a semana, o assunto volta a ser debatido em uma audiência pública, marcada para esta quarta-feira (27), convocada pelo vereador Eduardo Borgo (PMB), quando deve ser discutida a viabilidade financeira da empresa e medidas a serem adotadas visando sua sustentabilidade.
O vereador Borgo, aliás, foi o primeiro a se manifestar sobre o fato e opinou, participando de forma remota da sessão, que a intenção do governo municipal é privatizar a empresa. "Eu tenho dentro de mim que a intenção é prejudicar o serviço para tentar ter o apoio da população e depois chegar com uma atitude milagrosa", afirmou.
Mané Losila (MDB) sugeriu como forma de minimizar o problema do recolhimento do lixo, durante a greve, o uso de contêineres onde o munícipe possa depositar o seu lixo. "Esperamos que o poder Executivo possa resolver essa situação de calamidade em relação ao lixo da nossa cidade", ressaltou.
O presidente da Câmara, Markinho Souza (PSDB), se disse preocupado depois de saber que, por conta da greve, os funcionários da Emdurb poderão ter os salários comprometido já no mês de agosto. "A pergunta é: como garantir o salário destes trabalhadores, agora no final do mês, estes que precisam de seus salários para levar seu alimento (para casa)", indagou.
O presidente foi intimado a participar da reunião marcada para o dia 3, em Campinas, na sede do Tribunal Regional do Trabalho da 15º Região, que busca conciliação entre a empresa pública e os trabalhadores.
Pastor Bira (Podemos) comentou que no final de semana recebeu muitas reclamações de moradores de vários bairros que não contaram com a coleta, por isso questionou o sistema adotado para a retirada do lixo durante a greve. O vereador disse que é contra a privatização da empresa. "Sou contra a privatização e não gostaria que a empresa fosse sucateada como tem sido ao longo dos anos", avaliou.
Em seu pronunciamento, o vereador Coronel Meira (União Brasil) lamentou a decisão do TRT que marcou a reunião de conciliação para o dia 3 de agosto. "A decisão do desembargador está colocando em risco os servidores e a saúde pública da população". O vereador também criticou a menção feita pelo desembargador Francisco Alberto da Motta Peixoto Giordani, do TRT, que sugeriu como saída para o problema da Emdurb que a prefeitura faça um aporte à empresa pública para garantir o pagamento do vale-compras de seus funcionários. "Ele não colocou isso na decisão. Por quê? Porque não pode. Não deveria ter falado, porque cria falsa ilusão de que a coisa vai acontecer", avaliou.
Meira foi um dos vereadores que avaliaram que o problema da greve foi criado pela prefeita Suéllen Rosim. "Quem criou tudo isso não fui eu e nenhum dos 16 vereadores. Quem criou está na Praça das Cerejeiras, a partir do instante que resolveu conceder R$ 1 mil de vale-compra e esqueceu do filho pobre, que é a Emdurb. Isso para mim se chama irresponsabilidade", definiu.
Já Guilherme Berriel (MDB) mencionou que todas as regiões da cidade estão sofrendo com a suspensão da coleta, desde os bairros mais carentes até os mais nobres, e também avaliou que o problema foi criado pela decisão da prefeita. "Todo mundo está reclamando, por um capricho. Porque dar aumento para todos os servidores e não dar para os funcionários da Emdurb é sacanagem. Não tem empatia. O servidor é quem paga", lamentou.