Brasília - No dia em que o ministro da Defesa dos EUA, general Lloyd Austin III, exorta o Brasil a defender a democracia de forma intransigente e com "devoção", o acirramento dos ataques às urnas une empresários, executivos, juristas e banqueiros em demonstrações públicas de defesa da democracia.
Os principais representantes da sociedade têm se articulado para reafirmar a confiança no sistema eleitoral, em meio à escalada dos ataques feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Há o risco de um novo ato com discursos golpistas marcado para o dia 7 de Setembro, após chamamento feito pelo próprio presidente.
A mesma defesa é feita em encontro das Américas, evento de cúpula sediada em Brasília (leia abaixo).
Nesta terça-feira (26), a Faculdade de Direito de USP publicou lista de signatários de um manifesto que defende a democracia e o processo eleitoral marcado para outubro.
Entre os signatários estão Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central; Candido Botelho Bracher, ex-presidente do Itaú; Claudio Haddad, ex-presidente do Insper; José Guimarães Monforte, ex-presidente do Conselho do BB; e José Olympio Pereira, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil.
Também assinam o documento Maria Sílvia Bastos e Luciano Coutinho, economistas e ex-presidentes do BNDES, Pedro Moreira Salles, presidente do conselho administrativo do Itaú Unibanco, e Roberto Setubal, ex-presidente do Banco Itaú.
O documento, que menciona que o Brasil tem três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), "todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal", também reforça a defesa ao sistema eletrônico de votação e apuração.
"Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo".
RISCO
O documento destaca que com a proximidade das eleições, o País passa por um momento de perigo para a normalidade democrática, com insinuações de desacato ao resultado: "Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o Estado democrático de Direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças à ruptura da ordem constitucional".
FIESP
Na sexta-feira (22), o presidente da Natura, Fábio Barbosa, recordou que esteve envolvido com o manifesto "Eleições serão respeitadas", de 2021, e aproveitou para reiterar os princípios do movimento em defesa da democracia.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) também tem se empenhado em costurar apoio na área empresarial aos manifestos pró-democracia, segundo fontes, mas não comenta os atos.