08 de julho de 2026
Internacional

Após conviver 31 anos com HIV, paciente já é considerado curado

Agência Brasil
| Tempo de leitura: 2 min

Los Angeles - Um paciente de 66 anos diagnosticado com HIV foi considerado curado após receber transplante com células-tronco para tratar leucemia, afirmaram pesquisadores nesta quarta-feira (27).

Embora o transplante tenha sido planejado para o tratamento de câncer no sangue do indivíduo apelidado de "Cidade da Esperança", os médicos também buscaram um doador que fosse resistente ao vírus que causa a Aids, um mecanismo que funcionou primeiramente na cura do chamado "Paciente de Berlim", Timothy Ray Brown, em 2007. 

O paciente mais recente é o quarto a ser curado dessa maneira. O apelido "Cidade da Esperança" foi dado por conta da instituição norte-americana em Duarte, na Califórnia, onde estava sendo atendido, e porque ele não quis ser identificado.

O MAIS LONGEVO

Além de ser o mais velho a receber o tratamento até agora, o paciente tinha HIV há mais tempo, tendo sido diagnosticado em 1988 com o que descreveu como uma "sentença de morte", que matou muitos de seus amigos.

O paciente faz a terapia antirretroviral para controlar sua condição por mais de 30 anos. 

Os médicos que apresentaram os dados antes do encontro da Sociedade Internacional da Aids de 2022 disseram que o caso abre um potencial para o acesso dos pacientes mais velhos a tratamentos contra o HIV e câncer sanguíneo, especialmente já que o doador de células-tronco não era um membro de sua família.

QUARTO CASO

Ele se tornou o quarto caso de uma pessoa curada da infecção por HIV no mundo.

O paciente já está há 17 meses sem sinais do vírus no corpo, mesmo sem o tratamento com antirretrovirais.

A CURA

A remissão da doença ocorreu após um transplante de medula óssea, local de produção das células sanguíneas. O processo foi necessário para tratar uma leucemia, câncer que atinge as células sanguíneas.

Os médicos que tratavam o paciente começaram a buscar um doador de medula que fosse naturalmente imune ao vírus HIV. Para isso, iniciou-se uma busca genética por um doador com mutação no gene CCR5.

Esse gene produz uma proteína que, em linhas gerais, permite a entrada do HIV nas células humanas de defesa CD4 . Pessoas que receberam uma determinada mutação do CCR5 (um trecho deletado de letras genéticas) tanto do pai quanto da mãe --ou seja, são homozigotas para essa mutação-- são resistentes à infecção por algumas das variantes do HIV.

Não foi a primeira vez que um procedimento do tipo foi utilizado. Trata-se do mesmo processo que, em 2007, levou ao primeiro caso de cura de infecção por HIV --o paciente de Berlim, Timothy Ray Brown. Os outros três casos de cura já relatados também são relacionados ao gene CCR5.

Agora, porém, trata-se do paciente com HIV mais longevo (31 anos de infecção) a alcançar a remissão após um transplante.