10 de julho de 2026
Política

Primeiro dia de oitivas na CP: muita tensão e sem novidades

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

O primeiro depoimento das testemunhas elencadas pela prefeita Suéllen Rosim (PSC), em sua defesa na Comissão Processante (CP), instaurada contra ela na Câmara, foi do autor da denúncia, Elias Brandão, nesta quinta-feira (28), em uma reunião que durou mais de cinco horas e foi marcada pelo embate entre os advogados da defesa e os que acompanhavam o depoente, além da tensão já estabelecida entre o defensor da prefeita e a comissão. Em seu depoimento, Brandão reafirmou suas razões para a denúncia e respondeu a diversos questionamentos feitos pelo procurador da prefeita, se negando apenas para os quais afirmou não ter conhecimento técnico.

Na primeira parte da reunião foram lidos os documentos relacionados, até agora, ao andamento do processo da CP, tarefa que levou a maior parte do tempo da reunião e que em vários momentos foi interrompida pelo advogado Jeferson Daniel Machado, que representa a prefeita, com pedidos de questão de ordem para comentar os fatos e informações expostos.

Na abertura da reunião, a presidente da CP, Chiara Ranieiri (União Brasil), chegou a propor que todas as solicitações desta natureza fossem feitas ao final da leitura, porém, a sugestão não foi acatada pelo advogado.

Com o andamento, foram vários os momentos de embate entre os advogados da defesa da prefeita e os que acompanhavam o depoente, Carlos Alexandre de Carvalho e Willian Lelis Tamachunas. Um dos mais tensos foi quando Carlos Alexandre questionou as interrupções feitas por Jeferson Daniel durante a leitura.

Sobrepondo as falas um do outro, os advogados discutiram sobre procedimentos e o rito do processo, em um debate que durou vários minutos, enquanto a reunião permaneceu paralisada.

PERGUNTAS

Na parte em que houve propriamente a oitiva, Jeferson Daniel quis saber se o depoente seria ligado a algum grupo político ou teria mais proximidade com algum vereador. Elias afirmou que não é filiado a nenhum partido, mas que tem amizade com vereadores.

Jeferson questionou sobre a autoria da redação da denúncia, ao que Elias afirmou categoricamente ter sido ele o redator, e que o objetivo é esclarecer os fatos relacionados à aquisição dos imóveis.

Em determinado momento, Elias Brandão se irritou com os questionamentos feitos pelo procurador e afirmou que o advogado estava agindo de forma arrogante, na tentativa de tumultuar o andamento da comissão.

Dois questionamentos feitos pelo advogado e não respondidos pela testemunha foram sobre vistorias que o denunciante teria feito aos imóveis adquiridos e o andamento dos processos de desapropriações judicializados.

NAS REDES

O advogado que acompanhou o depoente, Carlos Alexandre de Carvalho, afirmou que entraria com uma ação de obrigação de fazer para pedir à Justiça a responsabilização de todos os que se manifestaram em uma postagem feita pela prefeita Suéllen, que usou uma imagem de Elias Brandão para divulgar a realização da reunião. A postagem gerou comentários que figuraram, na opinião do advogado, um risco à integridade física do denunciante. Na mesma ação, Carlos Alexandre iria pedir à Justiça a retirada da postagem.

DEPOIMENTOS

Nos próximos depoimentos, previstos para 4 de agosto, devem ser ouvidos Maria do Carmo Kobayashi, secretária de Educação; e André Gutierrez Boicenco, assessor de Infraestrutura e Gestão Tecnológica da Educação, além de Marco Antônio Fernandes Camargo, chefe de seção de frota da mesma secretaria. A última oitiva prevista é da prefeita Suéllen Rosim, no dia 10 de agosto.