10 de julho de 2026
Nacional

PM liberta mulher e dois filhos em cárcere privado no Rio de Janeiro

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - Policiais do 27º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Santa Cruz, libertaram nesta quinta-feira (28) uma mulher e os dois filhos de uma casa onde eles eram mantidos em cárcere privado em Guaratiba, na zona oeste da capital fluminense.

O homem acusado de encarcerar e maltratar as três pessoas foi preso. Ele era marido e pai das vítimas. 

Os policiais chegaram à casa após receberem denúncia anônima. A informação da polícia é que o cárcere e a violência já duravam 17 anos. Os dois jovens, de 19 e 22 anos, tinham aparência de criança por causa da desnutrição.

Imagens divulgadas pela PM mostram que a mãe e os dois filhos viviam em um ambiente precário e sujo e foram enContrados amarrados. Precisaram ser retirados da casa por uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e foram levados para o Hospital Municipal Rocha Faria, onde foram internados.

Vizinhos contaram à TV Globo que ouviam choros e gritos abafados por música alta. Um deles disse que tentara fornecer comida à mãe e aos filhos, mas fora impedido pelo acusado.

SOM ALTO

Vizinhos relataram que nos últimos 20 anos foram raras as vezes que viram a mulher e os dois filhos.

"Os mais velhos dizem que, quando eles se mudaram para cá [2003], ainda podiam ser vistos no portão da casa, cumprimentando as pessoas. Mas depois de pouco tempo eles nunca mais foram vistos lá. A gente sabia que ele tinha a esposa e os filhos, mas eu nunca via", disse a vizinha K., 19 anos, que mora desde bebê na rua onde o crime ocorreu.

Eles descrevem o marido como agressivo. Outro vizinho que não quis se identificar relatou que o suspeito colocava o som no último volume às 20h, o que dava para ser ouvido em quase todo o bairro. Ele não baixava o volume nem mesmo após pedidos dos vizinhos. Por esse motivo, ele até já teria sido esfaqueado. E continuou com o som alto. Por isso foi apelidado de DJ. Acredita-se que ele usava o som para abafar o grito das vítimas.

PEDIDO DE SOCORRO

Ambos relataram à reportagem que no último dia 20, por conta de uma falha no portão da casa, a mulher do agressor conseguiu fugir e pedir socorro para a vizinhança.

"Foi a primeira vez que eu a vi. Ela me chamou e pediu para ligar para a irmã dela, tinha o número gravado na cabeça", conta a vizinha.