Um forte clarão no céu às 5h09 desta quarta-feira (3) intrigou a população. Visto por moradores de Bauru e de diversas outras cidades, o fenômeno foi provocado, segundo pesquisadores, por um meteoro. O fragmento de asteroide é oriundo do processo de formação do sistema solar e veio, provavelmente, da órbita entre Marte e Júpiter.
É o que aponta o professor do Departamento de Física da Unesp de Bauru e coordenador do Observatório Didático de Astronomia, Rodolfo Langhi. Ele acredita que, antes de explodir, a cerca de 10 ou 20 quilômetros do solo, o objeto possuía o tamanho aproximado de um carro popular.
Até o fechamento desta edição, o acontecimento ainda era estudado e não havia informações sobre qual seu volume exato e em que município os possíveis fragmentos teriam caído, ou, então, se eles se dissiparam totalmente.
O fato é que quem observou o clarão ficou bastante intrigado. Morador de Bauru, Oseas Alves Sinis se impressionou ao olhar para céu e presenciar a cena. "Não sei se era meteoro ou asteroide. Pra mim, caiu na região da Quinta da Bela Olinda. Foi tudo muito rápido", comenta ele, que estava na Vila São Paulo.
BOLA DE FOGO
A bola de fogo também foi avistada por Adriano Aparecido da Cruz, morador de Espírito Santo do Turvo (75 quilômetros de Bauru).
Ele conta que estava na zona rural da cidade, em uma usina da cana-de-açúcar, quando viu o clarão descendo em direção a Bauru. "Era grande e impressionante. Nunca vi nada parecido caindo do céu, achei que fosse fazer um estrago em Bauru. Fiquei até esperando o barulho, mas, depois da explosão, nada mais aconteceu e a luz sumiu".
Outros moradores relataram o evento em municípios como Piratininga, Amparo, Aguaí, Hortolândia, Rio Claro, Pedreira, Campinas, Canitar, Sorocaba, São José dos Campos e São João da Boa Vista, além da Capital Paulista. Fora do Estado, o fenômeno também foi visto em Patos de Minas (MG).
BÓLIDO
O pesquisador Rodolpho Langhi explica tratar-se de um bólido, nome dado a um tipo de meteoro excepcionalmente brilhante.
"Tudo indica que ele se desintegrou completamente ao explodir, transformando-se em pó ou em pedacinhos menores. Para descobrir onde caiu, a Bramon (Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros) possui câmeras espalhadas por todo o território nacional, inclusive uma em nosso Observatório", aponta Langhi.
A câmera de Bauru, contudo, estava virada para o Norte e não flagrou a cena, observada no Leste.
O professor explica, no entanto, que, a partir da análise e triangulação das várias imagens do bólido obtidas de ângulos diferentes em outros municípios, será possível calcular aproximadamente o local ou região da queda de possíveis fragmentos.
Formado após "esbarrões" entre asteroides, muito comuns na órbita entre Marte e Júpiter, o meteoro em questão se diferenciaria de cometas por sua estrutura mais dura (formada por minério de ferro e níquel) e sem a presença de gelo.
ESTRAGOS?
"Eles viajam milhares de quilômetros até aqui. E quando atingem cerca de 90 quilômetros de altitude em relação ao solo, começam a queimar. Explodem ao chegar a cerca de 20 a 10 quilômetros do chão", explica o astrônomo, observando que o fenômeno era comum na Terra há milhares de anos e, inclusive, influenciou na formação do relevo.
"O último meteoro grande assim foi registrado há alguns meses em Uberlândia. Ele pode causar estragos, sim. Temos relatos de fragmentos que já caíram sobre casas, mas são eventos muito raros", finaliza Rodolfo Langhi.
VÍDEO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (Diego Rhamon/Bramon)
VÍDEO DE AMPARO (Eduardo Costa/Facebook)