10 de julho de 2026
Nacional

Filha é presa acusada de roubar da mãe R$ 720 milhões em quadros

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - Um grupo acusado de aplicar um golpe estimado em R$ 725 milhões na viúva de um colecionador de arte foi alvo de uma operação nesta quarta (10), no Rio de Janeiro. Nesse valor estão incluídas 16 obras de artistas como Tarsila do Amaral, Cícero Dias e Di Cavalcanti.

Os quadros faziam parte do acervo da francesa Geneviève Rose Coll Boghici, 82 anos, que os herdou há sete anos após a morte do marido romeno Eugéne Boghici, conhecido como o marchand Jean Boghici. A filha do casal, Sabine Coll Boghici, está entre os presos.

Segundo a Polícia Civil fluminense, ela e outras seis pessoas de uma mesma família são suspeitas de praticar os crimes de associação criminosa, estelionato, extorsão, roubo e cárcere privado contra a idosa.

No total, três foram detidos temporariamente nesta quarta e dois continuam foragidos -- e outro morreu. Sabine foi presa na casa de Rosa Stanesco Nicolau, sua companheira, onde foram encontradas diversas telas embaixo de uma cama.

Sua defesa ainda não se pronunciou sobre as acusações. A reportagem tentou localizar quatro advogados que constam em outros processos em seu nome, sem sucesso.

O cálculo dos R$ 725 milhões inclui as obras de arte avaliadas pela vítima em aproximadamente R$ 710 milhões, joias roubadas estimadas em R$ 6 milhões, pagamentos de R$ 5 milhões feitos pela francesa após ser enganada e de outros R$ 4 milhões feitos sob suposta coação e ameaça.

O COMEÇO

Segundo o inquérito, o golpe teve início em janeiro de 2020, através da "cartomante" Rosa Stanesco Nicolau.

Conhecida como Mãe Valéria de Oxóssi, a mulher jogou búzios, tirou cartas e disse que sua filha tinha um espírito ruim que a levaria à morte. Cobrou, então, um pagamento. A idosa depois contou a situação à filha, Sabine, que a convenceu a realizar todos os pagamentos para curá-la.

Os pagamentos somaram R$ 5 milhões em pouco mais de dez dias. A filha começou a isolar a mãe da convivência com outras pessoas e dispensou os funcionários da casa.  Sob a desculpa da pandemia, ela não podia ver nem ligar para ninguém, a não ser as pessoas que faziam o tratamento espiritual. O isolamento teria durado até abril de 2021. Ela ficou em cárcere e sob ameaças.

A filha chegou a colocar uma faca no pescoço da mãe diversas vezes, segundo o depoimento da idosa, enquanto, ao telefone no viva voz, a companheira Rosa a mandava matar. A partir de setembro de 2020, sob essa suposta coação, foram feitos mais 38 pagamentos somando R$ 4 milhões ao filho de Rosa.

Geneviève disse à polícia que "sempre teve um lado místico, tendo estudado, feito curso de astrologia, meditação e yoga, tendo inclusive ido por um mês para a Índia", por isso ficou impressionada com as previsões das videntes sobre sua filha.