11 de julho de 2026
Geral

Crescem em Bauru as comunidades que sustentam a agricultura orgânica

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Migrar da cultura do preço para a cultura do apreço. Esta é a mudança que o movimento Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) propõe e que tem conquistado cada vez mais moradores de Bauru. Entre os principais pilares da iniciativa, está o fortalecimento da agricultura familiar e o consumo de alimentos livres de agrotóxicos, que trazem benefícios não apenas à saúde das pessoas, mas também à natureza como um todo.

Hoje, a cidade já contabiliza aproximadamente 190 famílias, ou cerca de 600 moradores, que adquirem frutas, verduras e legumes diretamente dos produtores, por meio destas comunidades.

Coordenador do Grupo do Coração (gestão) da CSA de Demétria em Bauru e membro da CSA Brasil, Wagner Santos explica que a relação entre produtores e consumidores se afasta daquela de consumo tradicional, a ponto de os clientes que adquirem os produtos serem chamados de coagricultores.

Eles são formados por grupos de moradores que se cotizam para financiar a produção de alimentos em uma pequena propriedade ao longo de um ano. Em troca, recebem, uma vez por semana, itens cultivados a partir deste investimento, sem a intermediação de terceiros, o que ajuda a reduzir custos. Assim, por meio desta parceria, responsabilidades, riscos e benefícios passam a ser compartilhados entre quem produz e quem adquire os gêneros alimentícios.

"Atualmente, um integrante de CSA tem uma despesa 30% a 40% menor do que se comprasse em outros lugares. E essa comparação é com produtos convencionais, cultivados com veneno. Fica mais em conta porque a aquisição é direta com o produtor, não são usadas embalagens e quem organiza a entrega são os próprios coagricultores, em endereços de partilha", informa Santos.

'DESPERTAR'

Segundo ele, nem todas as CSAs são certificadas como produtoras de orgânicos, porém, nenhuma delas utiliza agrotóxicos no cultivo. E é esta relação não comercial, de confiança mútua, que ajuda a reduzir a pressão sobre a necessidade de selos oficiais.

"O interesse de novas famílias tem crescido gradativamente. As pessoas, de uma forma geral, estão despertando para o fato de estarmos enchendo nosso planeta, a fauna, a flora, os rios e lençóis freáticos de veneno e de estarmos ingerindo alimentos muito contaminados", analisa.

O coordenador explica que a CSA Demétria tem alimentos produzidos por um grupo familiar em Botucatu, com financiamento de 280 famílias coagricultoras, sendo 150 de Bauru. Parte delas, inclusive, está vinculada à Paróquia São Sebastião, que aderiu à iniciativa recentemente e recebeu a primeira remessa de produtos nesta segunda-feira (8) (leia mais abaixo).

Outras 21 famílias bauruenses são atendidas pela CSA Flor de Mulherando, cuja propriedade rural fica no bairro de Brasília Paulista, em Piratininga. E mais 20 famílias recebem produtos da CSA Raízes, que cultiva os alimentos em uma área localizada às margens da Bauru-Ipaussu, próxima ao Residencial Lago Sul.

De acordo com Wagner Santos, existem, atualmente, cerca de 200 CSAs no Brasil, sendo a primeira a de Demétria, que iniciou os trabalhos em 2011. Em maio de 2012, ou seja, há dez anos, ela começou a trazer alimentos para atender o público de Bauru, que, à época, era formado por apenas 12 famílias.