Deus a levou, minha mãe Celina, pois há muito tempo, 22 anos, na data de 11 de agosto, os céus esperavam o retorno de um dos seus anjos mais belos. Seus braços são agora asas e seu coração a estrela mais brilhante do horizonte. O tempo pode passar, mas a saudade é uma só, sempre.
Meu pai, Eurico, morreu quando eu tinha 3 anos... A compreensão das crianças sobre a morte varia de acordo com as experiências pessoais e familiares - e andam junto ao desenvolvimento cognitivo delas. Embora seja variável, a categorização por faixa etária ajuda a compreender o processo de cada uma. Até os 3 anos, a criança percebe a morte como ausência e falta, e pode pensar que é algo temporário, que é possível "morrer só um pouquinho" e voltar. Nunca tive essa compreensão, pois minha mãe, Celina, assumiu o papel de pai e mãe, não deixando espaço para perceber a perda que fora tão trágica.
Meu pai, alfaiate de profissão, entre 7 irmãos, todos funcionários da NOB, pois era o máximo a pessoa ser funcionária da Estrada de Ferro... "Segurança" para o resto da vida, na época... Mas, meu pai, contrariando a todos, escolheu a profissão de alfaiate, e diz a história que era dos bons, pois minha mãe contava que a ideia dele era ter um "atelier" de alta moda feminina, mas não concretizou o sonho que havia dividido com ela. Mas voltemos ao Dia dos Pais, neste domingo. Sempre a figura do Pai fora desenvolvida com muito amor pela minha mãe... Mas, conforme dissemos antes, até os 3 anos, "o pai pode morrer só um pouquinho" e voltar, mas nunca tive esse sentimento... Respeito, saudade, lembranças, zero... A não ser pelas fotos, que eram poucas, pois na época não era comum fotografar, como nos dias de hoje..
Portanto, você que tem o pai presente, curta, aproveite, dê um abração no "velho" enquanto você pode, pois na hora que você não tiver mais a pessoa tão querida entre vocês, será tarde agradecer... Parabéns a todos os papais, jovens, mais velhos, velhinhos, sendo pai, natural, do coração, de lembrança, de ouvir falar, de não conhecer, tenha sempre o amor voltado ao Pai, esse herói, sem máscara, sem capa, sem espada, só com muito amor para repartir com os filhos...
O autor é colaborador de Opinião.