10 de julho de 2026
Nacional

Desmatamento registra patamar alto na Amazônia, constata Inpe

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A Amazônia completou mais um período de elevada destruição. De agosto de 2021 até julho de 2022, foram derrubados 8.590,33 km² do bioma. A taxa é a terceira maior do histórico recente do Deter, ferramenta do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que mede desmatamento praticamente em tempo real. O novo dado só fica atrás de 2019-2020 e de 2020-2021, respectivamente o primeiro e o segundo ano com maiores desmates, segundo o Deter.

A nova taxa de desmate foi divulgada na manhã desta sexta-feira (12) pelo Inpe.

Os novos números deixam ainda mais consolidados os patamares altíssimos de desmatamento alcançados durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

O Deter não tem a função de mensuração precisa de desmatamento. Para isso, o Inpe possui o Prodes, sistema com maior precisão que divulga os dados de desmate ?computados sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte? nos últimos meses do ano. Mesmo assim, a partir do Deter, cujo objetivo primário é o auxílio a operações de combate ao desmate, é possível ver se há tendências de queda, manutenção ou subida de destruição, conforme passam os meses.

RECORDES

Com exceção do mês de dezembro, os recordes de desmatamento do Deter de todos os outros meses ocorreram sob Bolsonaro. Ou seja, sua administração tem quase um ano inteiro de recordes de desmate.

Só no ciclo mais recente (agosto/21 até julho/22) foram cinco meses com os números mais elevados de destruição já vistos para aqueles meses: outubro (876,56 km²), janeiro (430,44 km²), fevereiro (198,67 km²), abril (1.026,35 km²) e junho (1.120,2 km²).

O histórico recente do Deter tem início em agosto 2015.

O valor é consideravelmente superior ao que se via em mandatos presidenciais anteriores. 

O desmatamento na Amazônia já vinha crescendo antes de 2019, mas explodiu após a entrada de Bolsonaro no Palácio do Planalto. Antes mesmo de assumir a Presidência, ainda no período eleitoral, Bolsonaro já iniciou um discurso que condenava a fiscalização ambiental e citava "indústria da multa".

Junto ao desmatamento cresceram também as queimadas. As duas ações são interligadas: de forma geral, primeiro derrubam a mata, a deixam secar e, em seguida, no período seco da Amazônia, queimam a área desmatada.

As chamas e as derrubadas crescentes voltaram a atenção internacional ao Brasil, que passou a ser fortemente criticado pela atual gestão ambiental e viu reduzido o seu protagonismo na área ambiental.