08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A emoção de ser pai

Carlos R. Ticiano
| Tempo de leitura: 2 min

Sentado em um banco da praça, olhando a garotada jogar bola, Alberto deparou-se com um garoto assustado, quase chorando, vindo em sua direção. Apreensivo, perguntou: o que aconteceu, garoto? Meu periquito! Meu periquito fugiu! Calma, respondeu Alberto. A praça tem muitas árvores, quem sabe ele não voou para cá. Vou ajudá-lo a procurar.

Andando por entre as árvores, um gralhar característico de um periquito chamou à atenção do garoto. Olha lá! O meu periquito, tio! Sobe na árvore e pega ele pra mim! Neste momento, Alberto, um homem de meia idade, até pensou em arrumar uma desculpa, mas desistiu e resolveu encarar a missão. Agarrando aqui, subindo ali, conseguiu chegar próximo do galho e resgatar o periquito.

De volta à terra firme, ao tentar entregar o periquito para o garoto, este exclamou: vem comigo, tio, que eu tenho medo que ele escape de minhas mãos. Diante de tal pedido, Alberto não hesitou e lá foram eles como pai e filho. Segurando na mão do garoto, sentiu naquele momento a emoção de ser pai, uma vez que, por não ser casado, não desfrutara do prazer de ter um filho. Durante o trajeto, Alberto perguntou: qual é o seu nome, garoto? Carlinhos!

Chegando à sua casa, Carlinhos foi abrindo o portão e chamando o para entrar. Espera aqui na sala, tio, que eu vou buscar a gaiola. Sentado no sofá, foi surpreendido com a chegada de uma mulher atraente e muito bonita, que se apresentou como Helena. Muito prazer, respondeu Alberto! E antes mesmo que pudesse dizer mais alguma coisa, Carlinhos voltou com a gaiola e disse - Tio, esta é minha mãe! Meio sem graça, passando a mão sobre a cabeça do garoto, explicou em poucas palavras o que havia acontecido na praça.

Helena agradecida, exclamou: Vou buscar um cafezinho. Durante a conversa, pediu desculpas a Alberto, pelo trabalho que teve no resgate do periquito, dizendo que Carlinhos sente muito a falta de um pai, nessas ocasiões. Alberto até pensou em fazer algumas perguntas, mas desistiu, percebendo não ser o momento propício. Mas interessado na história, se prontificou em voltar, com o pretexto de orientá-lo como cuidar de um periquito.

Sensibilizado com tudo que aconteceu, Alberto saiu imaginando como seria ter uma família, uma esposa e um filho com a idade de Carlinhos e poder ensiná-lo à andar de bicicleta, jogar bola e a empinar uma pipa. Alguns dias depois, Alberto encontrou-se com Helena e não perdeu a oportunidade de perguntar pelo garoto. Agradecida, acrescentou - Carlinhos sempre pergunta por você. Aparece lá em casa, qualquer dia desses!

Seu convite soou como uma oportunidade de conhecê-los melhor. Afinal, alguma coisa dizia para Alberto que daquele relacionamento poderia nascer uma grande amizade, ou algo mais, como seu coração desejava e tinha esperança que acontecesse.