Vice-presidente da Bolsa americana de tecnologia Nasdaq, Bob McCooey prevê que entre 6 e 12 empresas brasileiras venham a fazer a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos EUA ao longo de 2023. Ele reconhece, contudo, que o momento ainda não é o ideal para a listagem de novas ações devido à alta de juros em curso pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que tem aumentado a volatilidade no mercado de tecnologia. O executivo diz também que, independentemente de quem vencer as eleições no País, o mais importante é que o governo estimule o desenvolvimento de novos negócios e o surgimento de empreendedores que criem empresas com potencial de crescer e possam considerar uma abertura de capital no futuro.
Como tem sido a conversa com empresas brasileiras interessadas em fazer o IPO na Nasdaq?
Bob McCooey - Tem sido muito interessante. Estamos alcançando um estágio em que as empresas brasileiras estão com um perfil mais próximo ao que temos na Nasdaq, com empreendedores criando negócios inovadores, disruptivos. São companhias de tecnologia, fintechs, áreas nas quais a Nasdaq é muito forte. Temos observado uma evolução muito expressiva.
Com base nas conversas, quantas devem fazer o IPO na Nasdaq nos próximos anos?
McCooey - Há um mercado forte no País por meio da B3, mas terão companhias que irão optar por fazer a listagem fora do mercado local. Minha expectativa é que, conforme tenhamos uma recuperação do mercado, entre 6 e 12 empresas brasileiras façam o IPO nos Estados Unidos no próximo ano.
Empresas brasileiras de quais setores devem fazer o IPO na Nasdaq?
McCooey - Empresas de tecnologia de uma forma geral. Fintechs, companhias de tecnologia do setor de educação, como a Arco e a Afya, e também vimos recentemente duas empresas de private equity fazendo a abertura de capital na Nasdaq, a Vinci e o Pátria. As pessoas geralmente pensam na Nasdaq primeiramente como um mercado de tecnologia, mas somos um mercado com um nível bastante elevado de diversificação dos negócios. Temos uma atuação muito forte também no setor de saúde e de biotecnologia.
Qual a percepção dos investidores globais sobre as empresas brasileiras?
McCooey - Acho que eles veem empreendedores fantásticos, construindo negócios incríveis no Brasil. Eles conseguem diferenciar empreendedores que estão construindo seus negócios em Jacarta, em Seul, no Vale do Silício ou em São Paulo. Se for um bom negócio, os investidores vão querer estar envolvidos, seja investindo nessas empresas quando elas ainda estão em um estágio inicial como empresa de capital fechado, ou quando elas se tornam públicas por meio da abertura de capital na Bolsa, a depender do perfil de atuação de cada investidor.
As incertezas sobre as eleições no País e a economia na região em 2023 podem incentivar as empresas a abrirem o capital no Exterior?
McCooey - Acho difícil comentar sobre a situação política do País, não conheço o suficiente para isso. Desde que o suporte continue para os empreendedores e para que novos negócios se desenvolvam, não importa quem vença a eleição. Contanto que o eleito não atrapalhe essa evolução que começou a acontecer ao longo dos últimos anos no País, a região continuará sendo um ótimo lugar para o surgimento de novos negócios.