11 de julho de 2026
Articulistas

Ara, Jove, um homem infantilizado

Paulo Neves
| Tempo de leitura: 2 min

Há muitos anos não acompanho novelas, fico mais na política, futebol, vôlei, skate, tênis, entre outros. A TV Manchete, há 32 anos, lançava a novela Pantanal, que foi sucesso durante meses. O Pantanal da Globo também é sucesso, com algumas coisas diferentes, como não podia deixar de ser. Como é um remake, tem características saudáveis, muitos personagens simpáticos, como é a Zefa

Paula Barbosa e Zaqueu (Silvero Pereira), grandes atores, trazem novidades a cada capítulo. Deixei a política de lado nesta semana para comentar o personagem Jove (Jesuíta Barbosa), aquele "aborrecente" que não enxerga além do próprio umbigo, mimado, depende do dinheiro paterno para viver. Neste momento está tentando produzir, criar alguma coisa no conglomerado do pai. Jove não é independente nem libertário, é um jovem chato que, mesmo tentando colocar ideias novas nas fazendas do pai, ainda não convence. Ele não tem empatia, não respeita limites e sua fala é óbvia demais... não convence como personagem e como ator, pelo menos até agora... Chegamos na Juma, que disputa com o Jove um cabo de guerra, cada um de lado na corda, que já esticou faz tempo e está para arrebentar a nossa paciência e temos que aguentar os dois até outubro, ara! A corda esticou. A poesia acabou. E agora? A novela tem pontos positivos, como é o caso de "Amor de Índio", de Milton Nascimento, cantada por Gabriel Sater. Grande momento, mas retomando a Juma, ela em determinados momentos é repetitiva e cansativa, mesmo com livros importantes que o Jove trouxe para ela ler e não entender, o patamar dela é mais embaixo... coisas da Globo! O que incomoda, perturba em diversos capítulos, é a autosabotagem de Jove e Juma (tomara que os sertanejos não venham com uma dupla nova, cantando sofrência). Eu não gosto da coisa pela metade, enquanto Juma tem um sorriso lindo, Jove não sabe sorrir, ele tenta, mas não consegue. é sempre pela metade.

A novela está acabando e Jove não conseguiu aprender nada com Zé Leôncio (Marcos Palmeira) e Filó (Dira Paes). Uma dupla de atores impecáveis no teatro, televisão e cinema. Uma pena! Jove é um homem infantilizado, tem ciúme dos irmãos, culpa o pai ausente por sua imaturidade. Perdeu a mãe, tem uma avó (Selma Egrei) que sabe o que quer e a tia (Camila Morgado) não faz nada e nem sai da fazenda.

Novela muito bem feita.

Cenários maravilhosos, mesmo com o desmatamento. Bom texto. Elenco de muita qualidade... e a vida que segue. Ara!