10 de julho de 2026
Política

IPTU Verde volta à Câmara após reunião entre Executivo e Comissão

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Um projeto que surgiu da iniciativa de Ivo Leite, vereador suplente com rápida passagem pela Câmara no ano passado, agora está em vias de ser enviado pelo Poder Executivo, criando o IPTU Verde em Bauru, que vai conceder benefícios tributários aos cidadãos que adotarem medidas destinadas a apoiar técnicas voltadas ao conceito de sustentabilidade em suas propriedades.

A minuta do projeto foi apresentada em reunião pública da Comissão de Justiça, Legislação e Redação na semana passada e quando o PL for enviado para Câmara os vereadores terão até o dia 30 de agosto para apresentar sugestões.

O texto da lei que está sendo finalizado pelo Executivo prevê descontos de 1% a 4% no valor do IPTU, de forma cumulativa, para proprietários que adotarem duas ou mais medidas previstas, entre as oito que estão definidas na lei.

São elas: a implantação de sistema de captação e utilização de água pluvial; de sistema de reúso de água residual; plantio e conservação de árvores nativas dentro dos limites da área territorial do imóvel; instalação e utilização de sistema de aquecimento hidráulico solar para redução do consumo de energia elétrica no imóvel; implantação de sistema de energia elétrica solar (fotovoltaica); de sistema de utilização de energia eólica; construção com materiais sustentáveis e instalação de telhado verde.

A adoção das medidas deverá ser atestada pela Secretaria de Meio Ambiente (Semma), com auxílio da Secretaria de Planejamento, após a avaliação da necessidade pela Secretaria de Finanças, que está finalizando o texto da lei.

O presidente da Comissão de Justiça, vereador Mané Losila (MDB), avaliou que o desconto no valor do imposto será um incentivo para que os proprietários dos imóveis implantem as medidas, já que ele avalia que o ganho real da proposta serão os efeitos que causarão. "A questão é a implantação de uma política socioambiental. Daqui um tempo, a população vai colher os benefícios desta legislação. Embora haja o incentivo do desconto, o projeto trás um benefício muito maior para a população e para a cidade", avaliou.

O benefício concedido poderá ser cancelado quando o proprietário do imóvel inutilizar ou deixar de utilizar a medida que elevou o imóvel e/ou apresentar débito de IPTU vencido há mais de 30 dias, e o interessado não fornecer as informações solicitadas.

Caso seja aprovada na Câmara, o Executivo terá 60 dias para regulamentar a lei após a aprovação.

INCONSTITUCIONAL

E ILEGAL

A proposta inicial para criar o IPTU Verde foi do primeiro suplente do União Brasil, Ivo Leite, que ocupou o cargo de vereador em razão da licença não remunerada Coronel Meira (União Brasil), no período de 22 de setembro de 2021 a 1º de outubro de 2021, e deu entrada no dia 27 de setembro de 2021. Segundo ele, a objetivo é incentivar que os moradores invistam em ações e práticas de sustentabilidade. Porém, a Comissão de Justiça emitiu parecer de inconstitucionalidade e ilegalidade por se tratar de matéria tributária, exclusiva do Poder Executivo. O parecer foi aprovado por todos os vereadores e, por isso, o projeto foi arquivado.

O presidente da Comissão, Mané Losila, propôs em reunião que o próprio Executivo enviasse projeto criando a nova legislação, o que ficou acertado. Na semana passada, o encontro na Câmara foi apenas para apresentação da minuta do projeto.

MEDIDAS EFETIVAS

Na justificativa do projeto, a prefeitura avalia que as medidas de incentivos econômico-financeiros são efetivas por poderem evitar "custos de reparação ambiental e tornar céleres eventuais remediações necessárias. Portanto, a adoção de incentivos fiscais, com sua consequente redução de encargos para o contribuinte, revela-se o método mais adequado para atingir o fim esperado", consta na minuta.