Dois meses e meio depois de ser iniciado, o Mutirão das Cirurgias do Estado de São Paulo, que objetiva zerar a fila de operações eletivas ainda neste ano, contabiliza cerca de 2,9 mil procedimentos realizados nos hospitais que atendem a população de 68 cidades da região. A informação foi prestada pelo secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, em reunião realizada com secretários municipais de Saúde e administradores de unidades hospitalares nesta segunda-feira (15), em Bauru.
Gorinchteyn avaliou que os números alcançados são bons, mas precisam melhorar e, para tanto, pediu para que os gestores trabalhem em parceria, ajudando uns aos outros no que for necessário, inclusive por meio da cessão de materiais. "A Covid-19 nos mostrou que não é só o dinheiro que traz respostas rápidas para questões envolvendo saúde. Cada um precisa fazer sua parte, com união de esforços. Só vamos conseguir melhorar os resultados trabalhando juntos", disse na reunião, que ocorreu na sede do Departamento Regional de Saúde (DRS-6).
Hoje, a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) contabiliza uma demanda reprimida de 36,1 mil pessoas na fila por cirurgias na região de Bauru. O secretário, contudo, aponta que elas precisam ser reavaliadas por especialistas para verificar se há, de fato, indicação para a operação ou apenas monitoramento e tratamento clínico.
'INVENTÁRIO'
"É necessário que cada município faça um inventário sobre o real número de pacientes que demandam cirurgia. Caso contrário, teremos dificuldade em dar celeridade para a redução desta demanda", frisa, acrescentando que muitos nomes da lista já podem ter sido operados emergencialmente ou recorrido à rede privada de saúde. "Além disso, há muitos casos de duplicidade ou triplicidade de pacientes no sistema, com pedidos vindos de diferentes unidades de saúde", acrescenta.
Gorinchteyn pediu, ainda, para que os gestores façam o levantamento do volume de cirurgias realizadas em cada hospital, por especialidade, visando identificar a vocação da respectiva unidade. "Se ela realiza mais cirurgias oftalmológicas, ou de vesícula, ou de varizes, ou de hérnias, vai dar prioridade para aquele tipo de procedimento, ajudando a dar vazão à necessidade da população da região e, eventualmente, de outras DRSs. E também queremos identificar as dificuldades de cada hospital, para que possamos programar, por exemplo, mutirões itinerantes nos finais de semana. Grupos de especialistas de saúde irão se deslocar de uma região para a outra, utilizando a estrutura hospitalar que já existe nestes locais", descreve.
AMPLIAÇÃO
Durante a reunião, a diretora do DRS-6, Fabiola Yamamoto, informou que os hospitais filantrópicos da região estão realizando 134 cirurgias por semana, sendo que, antes do mutirão, o volume era de 238 por mês. Os números excluem a produção registrada por hospitais como o Estadual e o de Base, em Bauru, Hospital das Clínicas de Botucatu e Amaral Carvalho, em Jaú, que também integram a iniciativa.
Alguns gestores presentes ao evento ponderaram algumas dificuldades para ampliar ainda mais o quantitativo de procedimentos, entre eles a baixa oferta de exames de imagem (leia mais na página 13), como ressonância magnética e ultrassom, e a falta de alguns materiais.
Gorinchteyn informou que a maioria das operações demanda apenas exames clínicos, de sangue, eletrocardiograma e, em algumas ocasiões, ultrassom, ficando a ressonância mais indicada para condições ortopédicas, que são em número muito menor.
Disse, ainda, que os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) ampliaram em 30% o volume de consultas e exames clínicos, laboratoriais e de imagem, por meio da estratégia de 'overbooking', considerando os níveis médios de absenteísmo, ou seja, de pacientes agendados que acabam não comparecendo ao atendimento.