08 de julho de 2026
Articulistas

Multilateralismo e a China

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A História é repleta de exemplos de ascensão e queda de impérios e nos fiamos nos mais recentes ou nos mais impactantes para explicar uma ou outra situação conflituosa em que se vive. Mesmo os relatos que nos chegaram dos povos originários das Américas dão conta de impérios e estruturas sociais com complexas relações de domínios que aqui existiam.

Criado no tempo em que o mundo era dividido em dois, acreditava que, ou se era fiel ao Ocidente, com os Estados Unidos capitaneando um dos lados, ou se seguia a União Soviética e os países satélites localizados ali perto, bem como os demais que tiveram alguma experiência socialista. Era raro falar em alguma terceira potência (tirando a maravilhosa saga de ficção científica Perry Rhodan) e os países que não se alinhavam com os dois polos eram assim chamados ou constituíam o Terceiro Mundo. A dinâmica biológica se reflete na dinâmica socioeconômica e muita coisa mudou, caminhando para outros lados da moeda da existência humana.

Tive recentemente uma aula de economia com o artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo e Elias Jabbour sobre a suposta quebra da China, publicado na revista Carta Capital. Como é importante uma visão fora do eixo neoliberal ocidental para explicar a forte e exitosa presença estatal no mercado, que faz do país asiático um bom exemplo para propostas progressistas deste lado de cá do mundo. Infelizmente, a narrativa dos ortodoxos de plantão predomina, ainda mais agora com a possibilidade de uma nova tensão sino-norteamericana.

Assim, é melhor ouvir especialistas em relações internacionais, com análise balizada, do que um colunista com sua opinião enviesada, como fez Demétrio Magnoli, criticando ações que envolvam eixos múltiplos nas relações comerciais, diplomáticas e estratégicas mundiais. O multilateralismo é a tônica de governos progressistas e é o que se espera como posição do Brasil, ainda mais agora que a China pode ser outro foco de distensão política e econômica.

O autor é pesquisador da Unesp de Rio Claro.