09 de julho de 2026
Geral

Bauru é palco de estudo internacional sobre cinzas de vulcão em atmosfera

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Cientistas nacionais e internacionais estão em Bauru, no Centro de Meteorologia (IPMet) da Faculdade de Ciências (FC) da Unesp, realizando a coleta de material que foi despejado na atmosfera terrestre após fortíssima erupção de um vulcão em Tonga, país insular localizado na região da Polinésia. Os estudos, de acordo com os pesquisadores, poderão indicar em que medida essa grande massa impactará no clima da Terra e até mesmo no balanço radioativo do planeta.

A erupção ocorreu em Hunga, em janeiro deste ano, e devastou o local. Segundo os especialistas, teve força maior do que a explosão de uma bomba atômica e despejou, na atmosfera, uma quantidade enorme de cinzas.

Com isso, esse material - chamado pelos cientistas de plumas - passou a circular ao redor da Terra. E é justamente para estudar a composição dele que os pesquisadores internacionais, incluindo da Nasa, estão realizando a coleta no Brasil, mais especificamente em Bauru.

COMO É A COLETA

A campanha de coleta das plumas no País é batizada de Bravo - Brasil Volcane. Esta é a segunda etapa da operação, que prossegue até sábado (20). A primeira fase ocorreu entre o final de maio e início de junho.

A escolha de Bauru para a coleta do material se deu muito por conta da estrutura e da expertise do IPMet da Unesp.

Os procedimentos executados por aqui passam pelo lançamento de um balão, no período noturno, para um pré-voo, com o objetivo de localizar a pluma. "Um instrumento denominado Lidar confirma essa localização através de feixes de raio laser. Um segundo voo é realizado no dia seguinte, levando um balão embarcado com instrumentos que farão a coleta de amostras de ar. São essas amostras que permitirão, aos cientistas envolvidos, estudar a composição química da pluma", explica a coordenação.

Os pesquisadores esperam, com os resultados, determinar se essa composição poderá afetar sua própria dispersão e saber até que ponto as plumas, geradas pela megaerupção, poderão impactar o clima e o balanço radioativo da Terra.

EQUIPE

Os cientistas que estão em Bauru para o estudo são Jean-Paul Vernier, do National Institute of Aerospace Langley Research Center, da Nasa; e Hazel Vernier, do Laboratoire de Physique at de Chemie (LPC) de L'Environnement et de l'Espace da CNRS, agência espacial francesa.

A campanha conta ainda com o professor Eduardo Landulfo, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), órgão ligado à USP, responsável pelas tarefas com o Lidar.

A responsabilidade por toda a logística de lançamento e recuperação dos balões é dos técnicos Demilson de Assis Quintão e Bruno Biazon, do IPMet da FC/Unesp.