O problema crônico da falta de água para 40% da população de Bauru abastecida pelo Rio Batalha voltou a ser assunto no Legislativo, mas, desta vez, sem que as torneiras estivessem secas. Presidente da Câmara, o vereador Markinho Souza (PSDB) tem cobrado do poder público a implantação de uma lagoa de captação alternativa destinada à reservação de água da chuva, como medida para prevenir a escassez durante a estiagem. Em nota, o DAE diz que já elabora um projeto para a obra em questão e que realiza estudos para viabilizá-lo.
O ponto de reservação ficaria a cerca de 2,5 quilômetros acima da lagoa de captação atual e utilizaria a vazão considerada remanescente do trecho de um córrego, braço do Rio Batalha, localizado nas imediações da rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu.
"No período chuvoso, a água que vem dali é excedente e poderia ser melhor aproveitada. Com uma lagoa alternativa e uma barragem naquele trecho, poderíamos armazenar o acumulado da chuva. Assim, durante períodos de estiagem, seria possível abrir a comporta para aumentar o nível da lagoa da captação da ETA (Estação de Tratamento de Água)", explica Markinho, que apresentou o assunto na sessão da Câmara Municipal da segunda-feira dia 8 de agosto.
'PÉ NO CHÃO'
O parlamentar cita que a ideia sobre a reservação surgiu em 2014 e que, na época, uma comitiva composta por ele e o ex-prefeito Rodrigo Agostinho chegou a visitar a possível área a ser destinada à obra.
Não prevista pelo Plano Diretor de Água (PDA) do município, a reservação foi vista, na ocasião, segundo Markinho, como uma "alternativa mais pé no chão" do que a construção de um novo ponto de captação de água previsto pelo PDA, a cerca de 22 quilômetros da lagoa atual da ETA e ao custo de mais de R$ 40 milhões.
"Além da barragem de concreto, seria necessária a desapropriação de alguns hectares ali para a construção da lagoa de reservação. E quanto mais profunda ela for, menor a área a ser desapropriada. Acredito que não precisaríamos nem mesmo de maquinário para bombeamento, porque a água desceria para a região da ETA com a própria força da gravidade", observa o parlamentar.
Antes de ser levado à Câmara Municipal de Bauru, o assunto foi discutido entre o vereador e o presidente do DAE, Marcos Saraiva, que, segundo Markinho, já se mostrava disposto a investir na reservação em questão.
PPP
Em nota, o DAE confirma que dialogou com o presidente da Câmara sobre o assunto e que elabora um projeto. No entanto, devido ao custo elevado, houve a sugestão de realizar uma Parceria Público-Privada (PPP) para a obra, o que o DAE diz analisar por meio de sua Divisão de Assuntos Jurídicos. O valor estimado do projeto não foi informado.
"Licitar demoraria muito e tempo é o que não temos quando o assunto é água. Estamos vivendo na sorte com essa estiagem que não tem castigado tanto as torneiras", comenta Markinho.
Ainda em nota, o DAE frisa que o documento em que projeta a nova lagoa de reservação contempla "a limpeza e desassoreamento de uma área que já tem sido avaliada, assim como também as devidas licenças ambientais, o que demanda tempo", finaliza a autarquia.