11 de julho de 2026
Geral

Paleontólogo da Unesp de Bauru fará coleta de fósseis na Antártica

LARISSA BASTOS ESPECIAL PARA O JC
| Tempo de leitura: 3 min

Animais invertebrados que "descansam" há cerca de 75 milhões de anos na Antártica estão prestes a serem "acordados" pelo paleontólogo Renato Pirani Ghilardi, professor livre-docente da Unesp de Bauru. O pesquisador foi selecionado em um projeto para viajar até o continente gelado a fim de coletar esses fósseis, que, até hoje, não foram analisados pela ciência. A partir dos estudos desenvolvidos com essas espécies, a missão dele é revelar à sociedade mais informações sobre a história e o desenvolvimento da própria Terra.

O docente irá até o extremo Sul do planeta por meio do projeto Pesquisas Paleontológicas no Continente Antártico (Paleoantar), do Museu Nacional do Rio de Janeiro, vinculado ao Programa Antártico Brasileiro (Proantar), financiado pelo CNPq. O convite partiu da professora Juliana Sayão, que coordena o Paleoantar.

O objetivo da expedição será estudar invertebrados (aqueles que não apresentam crânio e coluna vertebral) pertencentes ao Período Cretáceo, ou seja, que estão fossilizados há aproximadamente 75 milhões de anos.

Pirani é biólogo, com mestrado e doutorado em Paleontologia pela USP. É professor livre-docente na Unesp de Bauru - onde leciona efetivamente desde 2004 -, além de chefe do Laboratório de Paleontologia de Macroinvertebrados (Lapalma) da mesma instituição. Ele também foi presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) por dois anos, até 2021, e, atualmente, ocupa a posição de vice-presidente da entidade. Em meio a esse extenso currículo, o pesquisador desenvolve trabalhos a respeito de invertebrados há cerca de três décadas. 

'BEM PRESERVADOS'

"O mais empolgante é que são fósseis que nunca foram estudados e que estão muito bem preservados, por estarem no gelo todo esse tempo. Então, vou coletá-los e trazer para os laboratórios de Bauru, de onde vou estudar o ambiente onde viveram, o clima da época, sua alimentação, hábitos, entre outros. Isso ajudará a entender a história da Terra e como o planeta se desenvolveu ao longo dos anos. É uma oportunidade muito rara. Poucas pessoas têm a chance de desenvolver um estudo como esse", celebra Pirani.

O paleontólogo embarcará com destino à Antártica em 22 de novembro deste ano. Após 15 dias de viagem (que inclui trajetos tanto de avião quanto de navio), ficará acampado por um mês na Ilha de James Ross, a cerca de 200 quilômetros ao sul da Estação Comandante Ferraz (base de pesquisas brasileira), localizada na Ilha do Rei George. O retorno ao Brasil, com vários fósseis "na bagagem" e prontos para serem estudados, está previsto para 22 de janeiro de 2023.

DESAFIO

Apesar de o frio extremo ser benéfico para a preservação dos fósseis, ele empreende um grande desafio a quem vai até a Antártica desenvolver pesquisas. Para se ter uma ideia, no ponto onde Pirani trabalhará, a temperatura varia, durante o verão, de 10 graus negativos a 5 graus, com ventos que podem chegar a 100 quilômetros por hora. Foi necessário, inclusive, passar por um teste de aptidão elaborado pela Marinha do Brasil.

No acampamento, o professor de Bauru estará acompanhado de outros cinco cientistas brasileiros (três paleontólogos e dois agrônomos), que desenvolverão estudos em suas respectivas áreas, e um alpinista, responsável por dar todo o suporte necessário ao grupo no período. "Teremos que caminhar de 2 a 20 quilômetros todos os dias para chegarmos aos pontos de coleta de fósseis. Como todo o trajeto é no gelo e no frio, esse alpinista nos ajudará durante nossa estadia lá", conclui Renato Pirani Ghilardi.