O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e o Centro de Operações do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar (Cobom) de Bauru recebem, a cada oito minutos, um trote telefônico realizado por moradores do município, o que prejudica a rotina de trabalho das corporações e desvia os esforços da segurança pública para algo completamente inútil. Na tentativa de reduzir o volume de ligações indevidas, o governador Rodrigo Garcia editou decreto recentemente para regulamentar a aplicação de multas a estes infratores.
As autuações ainda não começaram, porque, primeiro, há necessidade de uma organização interna que será definida pelo Comando-Geral da PM. Ao longo do tempo, contudo, a expectativa é derrubar as estatísticas dos trotes, já que a punição pecuniária, de 67,21 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesps), o que equivale hoje a R$ 2.148,70, vai pesar no bolso dos 'brincalhões de péssimo gosto'.
De acordo com o Comando de Policiamento do Interior 4 (CPI-4), responsável pelo Copom e Cobom de Bauru, de janeiro até 15 de agosto deste ano, os dois centros de operação receberam 41.181 trotes telefônicos, que correspondem a 8% do total de 514.084 ligações atendidas pelos serviços no período. Desse volume de chamadas indevidas, 29.928 foram feitas por adultos e 11.253 por crianças, sendo 33.063 direcionadas à PM e 8.118 aos Bombeiros.
"Os telefones 190 e 193 são números de emergência e o trote, ao ocupar uma das linhas, atrapalha muito. Uma ocorrência grave pode ficar na espera porque uma ligação indevida está tomando tempo dos atendentes. Acredito que a aplicação das multas trará um impacto positivo, mas não deixaremos de lado as ações preventivas, por meio de campanhas de conscientização", pontua o capitão Nilson Tarcisio de Campos, chefe do Copom.
IDENTIFICAÇÃO PRECOCE
Ele explica que, na maioria das vezes, o trote é identificado durante a ligação, sem que uma equipe seja deslocada de forma desnecessária para um endereço onde não há qualquer ocorrência em andamento. A descoberta precoce da mentira ocorre em razão da lista de perguntas que o atendente deve fazer antes de acionar uma viatura.
"São questionamentos que estão dentro do sistema e que variam conforme o tipo de ocorrência. Se for um roubo, por exemplo, o policial vai perguntar se o criminoso está armado, o tipo de arma, se a vítima está ferida, se precisa de socorro. E, quando se trata de um trote, normalmente, o interlocutor não consegue sustentar a história e acaba desligando. Às vezes, até ri ou xinga o policial antes de encerrar a ligação", detalha o oficial.
Com o decreto estadual, o Comando-Geral da Polícia Militar deverá, em breve, definir as autoridades que ficarão responsáveis pela apuração dos casos e os detalhes de como ela se dará internamente. Pelo que já ficou definido pelo Governo do Estado, será investigado por aplicar trote quem "contatar os centros de operações de modo indevido, ilícito, desnecessário ou que possa acarretar perturbação, suspensão, interrupção ou atraso na prestação de serviço público ou, ainda, qualquer outro tipo de prejuízo ao interesse público".
Quando uma ligação como esta for recebida, será lavrado um auto de infração com todas as informações da chamada, incluindo a transcrição do diálogo ocorrido. O documento será analisado pela autoridade competente e poderá resultar na instauração de processo administrativo para aplicação da multa (leia mais abaixo).