09 de julho de 2026
Geral

Custo para tapar buracos dispara na melhor época para executar serviço

Guilherme Tavares
| Tempo de leitura: 2 min

Com sucessivas altas no preço do barril do petróleo ao longo do ano e também em diversos itens que compõem o asfalto, os custos para tapar buracos em Bauru disparou justamente na melhor época para executar o serviço: a estiagem de inverno. Segundo o secretário de Obras, Leandro Joaquim, alguns componentes chegaram a aumentar até 70% neste ano em relação ao ano passado. O resultado disso é a necessidade de recorrer a realinhamento de preços em diversos contratos e, inclusive, mudar as projeções para o ano que vem para metas mais modestas.

Nesta segunda-feira (22), equipes trabalharam no Parque Santa Edwirges e Vila São Paulo fazendo serviços de tapa buracos. De acordo com Leandro Joaquim, quatro meses atrás a tonelada de asfalto foi contratada a cerca de R$ 1 mil. "No mês passado, a tonelada foi para R$ 1.390, quase 40% de aumento. Nos próximos contratos vamos ter previsão de executar menos buracos", afirma. A estiagem é considerada a temporada de tapa buracos, justamente para que o serviço não seja rapidamente deteriorado pelas chuvas. 

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apesar da recente queda que puxou o valor do barril para US$ 98,25 na semana passada (15 de agosto), o preço do produto chegou a US$ 121,80 em julho ante os US$ 70,03 dólares no mesmo mês de 2021.

Ainda de acordo com o secretário, com os aumentos é necessário promover realinhamento de preços nos contratos, a fim de não ter que interromper as ações durante o inverno. A Lei de Licitações prevê a possibilidade de realizar um equilíbrio econômico-financeiro de até 25% de acréscimo do valor inicial atualizado da assinatura. "Desde que justificado pelo mercado. Agora, se formos projetar novamente 4 mil toneladas para o ano que vem provavelmente não vamos fazer pelo mesmo valor que temos hoje de R$ 5 milhões. Vamos fazer por R$ 7 milhões", argumenta.

CADEIA PRODUTIVA

Não só os itens do asfalto, como ligas, emulsões e cimento, ficaram mais caros. Outros derivados do petróleo também influenciam no custo final da pavimentação, a exemplo do próprio diesel. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que o preço médio do litro do produto saltou de R$ 4,58 em julho do ano passado para R$ 7,46 em julho deste ano, variação de 62,88%. "Até outros componentes, como pedras, ficaram mais caros", diz Joaquim.

Trabalho similar, o recape também deve ser impactado nos novos contratos. Para o ano que vem, a Secretaria de Obras prevê um encolhimento nos contratos. "Essa licitação que estamos fazendo por R$ 20 milhões seria suficiente para fazer 250 quadras lá no primeiro semestre. Agora nós vamos conseguir fazer menos de 200 quadras", estima o titular da pasta.