11 de julho de 2026
Geral

Recenseadores enfrentam de furto até ameaças com facão em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Menos de um mês depois do início do Censo Demográfico 2022, promovido pelo IBGE, a agência de Bauru já contabiliza relatos de hostilidade contra os recenseadores, além das dificuldades que estes profissionais têm enfrentado para conseguir coletar dados. Entre os casos mais graves, um trabalhador teve o equipamento de coleta digital de informações furtado e outra foi ameaçada com um facão.

Segundo Bruno Dal Medico Hirsch, coordenador censitário no município, na ocorrência de furto, o recenseador estava a caminho de uma residência, nas proximidades do Parque Vitória Régia, quando teve o aparelho subitamente arrancado de suas mãos. Ele ainda tentou correr atrás do criminoso, mas não conseguiu recuperar o objeto.

"Era por volta de 20h de uma quinta-feira", descreve. Outro episódio de violência, também ocorrido no período noturno, foi praticado por um morador que se sentiu incomodado em ser abordado por uma recenseadora na porta de sua casa e a ameaçou com um facão, na região do Jardim Ouro Verde, imediações da avenida Castelo Branco.

Por medida de segurança, a profissional saiu rapidamente do local e o próprio coordenador censitário do município retornou para aplicar o questionário. "Com calma, usando a experiência que eu já tenho para contornar algumas situações, voltei ao endereço, conversei e consegui convencê-lo a dar as respostas", explica Hirsch.

Em outro caso, uma recenseadora que teve dificuldades para se expressar e fazer as perguntas foi chamada de 'retardada' pelo morador, precisando a entrevista ser concluída pelo supervisor dela, que estava próximo. Além destas situações mais graves, os trabalhadores têm sido frequentemente hostilizados por pessoas que não conseguem compreender a importância de um levantamento desta magnitude, utilizado, inclusive, para nortear políticas públicas que beneficiam toda a população.

DESCONFORTO

Há, ainda, quem demonstre receio, como moradores que pertencem a classes mais abastadas e aqueles que vivem em imóveis localizados em áreas irregulares. "No primeiro caso, ficam desconfortáveis em informar renda, número de cômodos do imóvel. Nesta situação, eles mesmos podem preencher a informação no aparelho, porque o dado fica inacessível assim que o recenseador passa para a próxima pergunta. Já no segundo caso, é comum a pessoa ficar com medo de perder a casa ou, ainda, o Auxílio Brasil, porque possui uma renda trabalhando informalmente, além do benefício", detalha.

Segundo Mateus do Amaral Bueno Arruda, chefe da agência do IBGE em Bauru, o instituto, por lei, deve garantir o sigilo dos dados e não pode fornecer qualquer tipo de informação pessoal, por exemplo, à Receita Federal ou ao Ministério da Cidadania, responsável pelo Auxílio Brasil. "Quem se sente inseguro em responder pessoalmente pode pedir para fazê-lo pela Internet", frisa. Para tanto, é preciso receber a visita do recenseador, que emitirá um ticket eletrônico para permitir o acesso ao formulário no site do IBGE.

Os representantes do instituto e do Censo 2022 em Bauru também revelam dificuldades para conseguir acessar condomínios de apartamentos, visto que há necessidade de autorização prévia das administradoras. "Este é nosso maior desafio hoje: explicar e fazer estas empresas entenderem a legislação federal [que prevê a obrigatoriedade de todo cidadão prestar informações ao Censo]", completa Arruda.

DIVISÃO TERRITORIAL

A coleta de dados começou em 1 de agosto e seguirá até 31 de outubro. Desta vez, para o levantamento, o IBGE de Bauru está utilizando a divisão das unidades territoriais urbanas da cidade delimitadas em um decreto municipal de 2019. Ao todo, o documento listou 12 áreas, setorizadas, a exceção do Centro, por bacias por onde passam córregos e ribeirões.

Com base neste mapeamento, o IBGE dividiu a cidade em cerca de 700 setores censitários, cada um com aproximadamente 300 domicílios, que fica sob responsabilidade de um recenseador.