11 de julho de 2026
Economia & Negócios

80% dos lojistas da CDL aderem ao cadastro positivo de consumidores

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Três anos depois de ser criado no Brasil, o cadastro positivo de consumidores já conta com a adesão de 80% dos estabelecimentos comerciais vinculados à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru. Segundo a entidade, atualmente, cerca de 800 associados fornecem informações sobre pagamentos de consumidores a empresas autorizadas pelo Banco Central a calcular o 'score' (pontuação) de bons e maus pagadores.

Criada em julho de 2019, a ferramenta, desde o início, aglutinava por CPF o histórico de contas como água, energia elétrica e telefonia, que foram pagas às concessionárias, assim como aos bancos, financeiras e seguradoras. Aos poucos, foi ganhando a adesão de grandes redes de lojas brasileiras e também das associações comerciais que reúnem estabelecimentos menores.

Segundo o consultor jurídico da CDL, Elion Pontechelle Junior, uma das vantagens do serviço é o fato de ele ser mais amplo do que o tradicional cadastro negativo, que restringe o nome do consumidor que deixar de pagar uma única dívida. Já pelo método de 'score', este débito pendente apenas rebaixa a pontuação do indivíduo, que pode continuar alta se ele tiver um histórico de pontualidade em relação a seus compromissos financeiros.

"Houve uma aceitação muito boa, porque um consumidor pode ter atrasado uma conta de luz, mas estar com todas as outras contas em dia. Neste caso, por exemplo, mesmo que ele esteja com o nome restrito, ainda continuará com um 'score' alto. O lojista consegue compreender melhor o perfil de quem está comprando com ele", frisa.

PERFIL

As lojas vinculadas à CDL começaram a aderir à ferramenta em janeiro de 2020 e, hoje, 80% dos cerca de 1 mil associados - instalados no Centro, Zona Sul e bairros como o Núcleo Mary Dota e Vila Falcão - fornecem informações sobre pagamentos, tendo como contrapartida a possibilidade de consultar os 'scores' de forma imediata, por meio do CPF do cliente, quando ele vai finalizar sua compra. É o mesmo mecanismo usado no cadastro negativo.

"E, além do lojista, o consumidor também pode ter acesso à sua pontuação. Ciente de que tem uma nota alta, a pessoa pode até mesmo negociar descontos, porque sabe que ela tem um perfil de consumidor que o comerciante quer fidelizar", acrescenta Pontechelle Junior.

Para a formulação do 'score', que vai de 0 a 1.000, são consideradas, por exemplo, informações sobre atrasos em pagamentos de contas ou de cartão de crédito, dívidas existentes e a capacidade financeira para arcar com compromissos adquiridos. Atualmente, as empresas SPC Brasil, Serasa, Boa Vista e Quod são autorizadas a disponibilizar o resultado destes cálculos.

Vale destacar que as lojas, empresas e instituições têm acesso apenas à nota, mas não ao histórico de pagamentos, com descrição dos estabelecimentos e valores pagos.

Já o consumidor consegue verificar seus dados por meio de login no site destas operadoras. Todos os moradores do País têm suas informações computadas por elas, independentemente de prévia autorização. Porém, quem não quiser ter seus dados divulgados pode solicitar a retirada do cadastro positivo junto às instituições de proteção ao crédito responsáveis.