A Rússia "agradece muito a posição do Brasil" na Guerra da Ucrânia, marcada por uma neutralidade visando manter o fluxo comercial entre os dois países.
Foi o que disse Andrei Klimov, da Comissão de Cooperação Internacional do Conselho da Federação, o Senado russo, durante uma conversa com jornalistas brasileiros nesta quinta (25). Ele é uma influente voz em política externa no partido de sustentação do governo Vladimir Putin, o Rússia Unida.
"O que o governo de vocês fez foi muito razoável. Foi o que fizeram países sábios, como a China e a Índia. Os países que não se unem às sanções [lideradas pelos EUA e Europa para punir Moscou] têm vantagens econômicas", afirmou. "Hoje o chinês compra gás russo por um preço 20 vezes menor que o alemão. Enquanto um destrói sua economia, o outro levanta a dele", disse.
O governo Jair Bolsonaro (PL) manteve uma certa ambiguidade em relação à guerra. Votou contra a invasão na ONU, mas não apoiou as duras sanções. Segundo o presidente, o objetivo era manter o fornecimento de fertilizantes ao Brasil, grande comprador do produto russo.
A posição causou críticas em Kiev. O presidente Volodimir Zelenski disse que o Brasil está no lado errado da história, em entrevista e também numa conversa por telefone com Bolsonaro.