Para analisar o imbróglio que se tornou o futuro da coleta e destinação do lixo produzido diariamente em Bauru e discutir outros temas, o programa Café com Política desta sexta-feira (26) convidou o engenheiro agrônomo, professor doutor da Faculdade de Ciências da Unesp e presidente da Assenag, Aloísio Costa Sampaio. Para ele, seria mais vantajoso a Prefeitura de Bauru pagar os R$ 4 milhões e abrir mão do projeto de PPP do Lixo, elaborado a pedido da Caixa, e que tramita na Câmara, retomar o processo e definir, em discussão com a sociedade, uma nova rota tecnológica para o lixo.
A intenção da prefeitura é manter a coleta de lixo com a Emdurb, preocupada com a situação financeira da empresa. Porém, Aloísio também sugere que o momento é propício para se rediscutir a Emdurb e garantir um futuro mais equilibrado financeiramente, sem o peso deste serviço, cujos funcionários poderiam ser absorvidos em uma futura concessão à iniciativa privada.
O assunto foi debatido entre os apresentadores do programa, o jornalista Ricardo Bizarra e Reinaldo Cafeo, além do diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, e do especialista em Marketing Político e Comunicação Eleitoral Kleber Santos.
SITUAÇÃO COMPLEXA
Aloísio reconhece que a definição sobre o lixo não é uma tarefa fácil, considerando que desde o governo passado foram tomadas decisões sobre o assunto, como a contratação do projeto, sem custo se for adotado, junto à Caixa prevendo apenas a destinação final do material, mas não a coleta. "É um desafio muito grande, porque a situação é complexa. Naquele momento, por decisão política, o governo (Clodoaldo) Gazzetta focou apenas no destino final. Então, entrou o governo Suéllen (Rosin) e manteve a decisão, ou seja, manter a mesma rota tecnológica", informou.
R$ 4 MILHÕES
Por isso, Sampaio, que discute o assunto há anos, entende que é hora da iniciar uma nova etapa sobre o assunto. "É mais vantajoso custear os R$ 4 milhões (devolução à Caixa) e retomar o processo aberto, com participação da sociedade civil, Assenag, Codese, universidades, para melhoria do processo, inclusive incluindo a coleta", afirma.
Para ele, o custo é pequeno para o município diante do prejuízo que pode causar a aprovação, pelos vereadores, do projeto que está na Câmara. "Eu considero que R$ 4 milhões, em função do orçamento municipal, é pouco. O prejuízo maior seria aprovar (a lei). Quanto melhor for a rota, os equipamentos, a tecnologia e com menor custo possível, melhor para Bauru", concluiu.
Aloísio também opinou que a Emdurb deveria ser liberada de todo o processo referente ao lixo, para se tornar uma empresa mais leve e rentável. "A gente sabe que em toda empresa que enfrenta dificuldade financeira um dos primeiros procedimentos é reduzir o tamanho. Ela (Emdurb) continuaria a existir, mas focada na parte de mobilidade e limpeza, sem o ônus pesado que é sistema de coleta", avaliou.
SINUCA DE BICO
O jornalista João Jabbour avalia que na decisão do governo anterior, de terceirizar apenas a destinação do lixo, pesou a preocupação com a saúde financeira da empresa, mas que a orientação hoje atrapalha o processo. "O ideal do ponto de vista global pode ser o pacote fechado na definição da PPP", ponderou.
Porém, por ter sido uma decisão política, Reinaldo Cafeo avaliou que os vereadores, que vão avaliar o projeto enviado pela prefeita, terão dificuldade em chegar a uma decisão. "Se não aprovar, são R$ 4 milhões de ônus, se aprovarem, não contemplam o que querem...", resumiu.
Para João Jabbour, por ser assunto mais técnico do que político, será necessário consciência por parte dos parlamentares quanto à importância da discussão. "Tudo o que não pode ter é a política incidindo de forma partidária, naquela coisa do nós contra vocês...", avaliou.
OUTROS ASSUNTOS
Além do tema lixo, os participantes do programa também trataram do resultado das últimas pesquisas de intenção de votos para presidente da República, e Kleber Santos analisou as participações dos três principais concorrentes à Presidência - Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT) em entrevistas no Jornal Nacional, da TV Globo.
Também debateram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, de determinar busca e apreensão nas casas de empresários que, em um grupo fechado de mensagens, defenderam um golpe de estado, caso Lula vença as eleições.
Ouça o programa completo no http://www.jcnet.com.br/ (clique em Cidade 360) ou nas contas do Youtube do JCNET e da 96FM.