Tenho 20 anos de sala de aula e durante minha carreira não me lembro de ter vivido um ano sem apreensão, insegurança, ansiedade e estresse. Devido à baixa remuneração, muitos professores são obrigados a ter dois cargos, trabalhando 78 horas semanais. Os últimos anos foram muito difíceis para a nossa categoria, estamos trabalhando 6 dias a mais durante o ano sem receber nada por eles, pois o governo tirou as faltas abonadas e não propôs sequer um banco de horas para o pagamento do tempo excedido nos meses com 31 dias, como existe no setor privado.
Desde junho deste ano perdemos o direito de ficar doentes, pois, ao contrário dos demais funcionários, sejam eles da iniciativa privada ou setor público, temos limitações de faltas médicas, ou seja, não podemos programar consultas, pois temos que reservar 6 dias durante o ano para o caso de ficarmos doentes, isto porque existe agora uma limitação de três faltas médicas parciais de duas horas ao ano e isso apenas para professores que tenham no mínimo 40 horas semanais de jornada. Quem não tiver, não terá este direito, ressaltando que isso vale somente para professores, os demais servidores permanecem com os direitos resguardados.
Não estou falando de ideologia nem mesmo debatendo política, seja ela partidária ou de qualquer outra natureza, estou expressando a situação de sofrimento e da falta de um tratamento de humanidade que tem assolado uma categoria tão importante para o mundo.
Os professores estão sofrendo e trabalhando doentes, não fomos devidamente assistidos durante a pandemia e nem após, muitos de nós perderam parentes, amigos, se colocaram em risco, assim como as suas famílias durante todo este período, e a recompensa que recebemos por todo trabalho e estresse foi a perda de direitos básicos que foram mantidos para todas as categorias, exceto a nossa.
Hoje, infelizmente, eu olho para o passado e repenso a minha vocação, pois se eu soubesse que chegaria ao ponto em que chegamos, eu não teria escolhido seguir a profissão que exerço há duas décadas.