09 de julho de 2026
Geral

Crise, guerra e educação elevam em 8 vezes total de imigrantes em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A crise econômica enfrentada por alguns países, assim como guerras e perseguições em outros, têm levado um grande número de imigrantes, incluindo refugiados, a abandonarem suas nações de origem e se mudarem para Bauru. O fato de a cidade ser um polo regional de ensino superior, especialmente na área de odontologia, também atrai um grande volume de estrangeiros.

Porém, devido a dificuldades no contexto internacional, a quantidade de imigrantes no município aumentou em oito vezes apenas neste último ano. Segundo a ONG Apoio para Recomeçar, que compila dados da Polícia Federal, em agosto de 2021, 332 estrangeiros viviam de forma legal em Bauru. Doze meses depois, já são 2.637 pessoas de outros países estabelecidas na cidade.

E, segundo Aline Florêncio Plácido, diretora da ONG, a tendência é de que o número continue a aumentar, já que os serviços oferecidos na região metropolitana de São Paulo, para onde estes imigrantes seguiam após desembarcar no aeroporto de Guarulhos, já não conseguem mais absorver toda a demanda. "Os abrigos destas grandes cidades estão lotados e há uma recomendação para que estas pessoas recorram a municípios do Interior do Estado. As entidades da Capital estão, inclusive, pedindo nossa ajuda", descreve.

Frente à explosão das estatísticas, Bauru começou a se estruturar para oferecer suporte a estas famílias, que, na maioria das vezes, chegam à cidade sem documentos nacionais, incluindo RG, CPF e CNH, sem emprego, sem local para morar e sem conseguir falar a Língua Portuguesa. A própria ONG Apoio para Recomeçar, que já atendia imigrantes e refugiados desde 2019, só foi instituída formalmente agora em 2022.

SUPORTE

A entidade presta orientação para o processo de regularização migratória e acesso aos serviços públicos oferecidos no município, como escolas, unidades de saúde, Cras e Creas, programas de empregabilidade, entre outros. "Também temos aulas gratuitas de Língua Portuguesa de modo online, por meio de uma parceria com a Unesp de Araraquara. Mas estamos em tratativas para começar em formato presencial, com a ajuda de uma universidade de Bauru", comenta.

Também neste ano, desde janeiro, o Programa de Orientação e Acesso à Documentação Civil e Atendimento ao Imigrante (Proadi), desenvolvido pela Cáritas por meio de convênio com a prefeitura, começou a assistir estrangeiros. Entre os serviços prestados, está a escuta especializada por assistente social e psicólogo, ajuda para obtenção de documentação junto à Polícia Federal, direcionamento para serviços públicos e, em alguns casos, doação de cestas básicas e até articulação com 'padrinhos' voluntários que se disponham a custear o aluguel para moradia de famílias.

"Muitas vezes, elas chegam em Bauru só com as malas, para recomeçar a vida do zero. E relatam que escolheram Bauru porque buscavam uma cidade com alguma estrutura, mas que fosse tranquila. Também pesquisam na Internet os serviços de apoio para estrangeiros e descobrem, por exemplo, o trabalho realizado pela Cáritas", descreve Michelle Del Vescovo, assistente social do Proadi.

EMPREGO

Visando a inserção destas pessoas no mercado de trabalho, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedecon) promoveu, em julho, o evento Gera Bauru: Gerando Oportunidades para Refugiados e Imigrantes. Os participantes receberam orientações sobre a emissão de documentos pessoais e empreendedorismo, além de entregarem currículos para empresas.

A subseção da OAB Bauru foi parceira da iniciativa e criou, no dia 12 de agosto, o Comitê de Orientações a Migrantes e Refugiados, formado pelas comissões de Direito e Liberdade Religiosa, Direitos Humanos, Direito Internacional e Orientação Jurídica. "Vamos prestar apoio jurídico e outros que pudermos fornecer para estas pessoas, que são praticamente invisibilizadas. Estamos nos organizando para promover ações para este público, provavelmente por meio de plantão permanente", informa Marcia Negrisoli, presidente da OAB Bauru.