08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Bauru de antigamente

Cesar Savi
| Tempo de leitura: 3 min

O famoso e ilustre historiador bauruense Luciano Dias Pires, fundador e editor do Bauru Ilustrado (BI), que circulou durante 47 anos como suplemento mensal do Jornal da Cidade, publicava uma frase profética e inspiradora repetida em cada edição. A citação é "O corpo de uma cidade é o seu povo e a alma a sua história. Esta, se não for preservada, respeitada e divulgada, povo e cidade perdem a identidade". Tive a honra se ter colaborado com o BI redigindo matérias especiais. Isso me levou à ideia de fazer textos com o título 'Bauru de antigamente', que eu chamo de minha novela que tem sido publicado espaçadamente pelo Jornal da Cidade. Imagino que com mais três ou quatro veiculações o tema será encerrado.

Na parte de história, Bauru tem coisas interessantes conhecidas pelos mais velhos e desconhecidas pelos mais novos. Entre elas, a concessão do título de Cidadão Bauruense a Edson Arantes do Nascimento, Pelé. A propositura foi do vereador Sérvio Túlio Coube, em 29 de outubro de 1962. Curiosamente, Pelé respondeu em 21 de fevereiro de 1975. Ninguém sabe dizer ou pesquisou motivo dessa demorada resposta. Ele enviou uma carta para a Câmara Municipal (CM) agradecendo a honraria e nada disse sobre esse longo espaço entre a indicação e a aceitação e foi muito criticado por isso. Em função da fama de Pelé, seus fãs ou não fãs, diziam que a agenda dele era internacional e sem tempo para vir a Bauru. Sérvio sugeriu que a entrega fosse feita no Estádio Alfredo de Castilho para maior participação da população. A ideia não foi aprovada e a entrega foi na CM. Dondinho, pai de Pelé, recebeu um cartão de prata.

Na gestão do prefeito Nicola Avallone Júnior (Nicolinha) Pelé foi presentado com um carro Romi-Isetta, que fazia sucesso na época. Para quem não sabe, pode ser comparado com uma motociclcleta com duas portas e cobertura. Acomodava duas pessoas: o motorista e um acompanhante. Bauru tem um famoso clube de colecionadores de carros antigos e dois deles possuem o carrinho, uma relíquia, e dizem que pertenceu a Pelé. Antes de despontar no Baquinho, de Bauru para o mundo, ainda garotinho, jogou pelo Sãopaulinho de Curuçá. Diz a lenda que depois de acertado dia, hora e local do jogo, os adversários exigiam que ele jogasse no gol. Pelo que ele fazia fora do gol, até pode se considerado como um pedido justo.

Um fato ocorrido em Bauru em 26 de julho de 1908 pode se considerado como a vida imita a ficção e vice-versa. De acordo om relato do historiador Irineu Bastos, João Henrique Dix, nome de rua no Parque União, inaugurou o que hoje é o Cemitério da Saudade com sua morte.

Ele era tenente-coronel da Guarda Nacional e dono do Hotel Dix, na rua Araújo Leite, quadra 9. Ele doou uma grande área de terra para a construção do cemitério. Nesse mesmo dia, ele cometeu suicídio por motivos pessoais e familiares. Isso gerou uma lenda com muitos acreditando que ele cometeu suicídio para inaugurar o cemitério. Para alguns, o escritor Dias Gomes deve ter se inspirado nisso para criar novela O Bem Amado. Em uma cidade do Nordeste, o prefeito, representado pelo ator Paulo Gracindo, inaugura um cemitério e não morre ninguém na cidade para ser o primeiro a ser sepultado. Salvo engano, o túmulo de João Henrique Dix fica logo na entrada, lado direito, no Cemitério da Saudade.