Brasília - A menos de 40 dias da eleição presidencial, banqueiros e empresários se mostram perplexos diante da ausência de propostas concretas para estimular a economia nos planos de governo apresentados pelas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral.
Dirigentes e economistas de grandes instituições financeiras, líderes da indústria, do comércio e do setor de serviços dizem que "vêm tentando arrancar" dos dois candidatos (líderes de pesquisas de intenção de voto) medidas para reaquecer o PIB. Os grandes debates, que começam hoje (leia abaixo) podem ser um bom indicador.
A reportagem ouviu, sob condição de anonimato, seis banqueiros, dois grandes empresários da indústria, outros dois do varejo e um do setor de serviços. Eles classificam os planos de governo registrados no TSE como um "protocolo de intenções vazio". O principal não está dado, "quais serão as reformas, as medidas a serem tomadas", dizem. Todos, sem exceção, estão de olho em encontros, entrevistas, ideias dadas em eventos e até mesmo em programas do horário eleitoral, para balizamento.
CRESCIMENTO
Banqueiros e empresários estão em busca de informações junto aos próprios candidatos para desvendar, ao menos, dois pontos cruciais: a proposta sobre uma nova âncora fiscal e o projeto para a retomada do crescimento econômico.
Para o mercado financeiro, com a perda do grau de investimento (selo de que o país é um destino rentável), em 2015, o teto passou a ser o principal indicador de que o Brasil não se tornará insolvente ou gastador.
Para o empresariado, mais preocupado com a retomada do consumo e do crédito, o que chama a atenção no plano de ambos os candidatos é a promessa do uso de garantias concedidas por bancos públicos e fundos específicos para lastrear empréstimos bancários, especialmente para empreendedores de pequeno porte e mulheres. Estima-se que 55 milhões de mulheres, todas elas arrimo de família e donas de pequenos negócios, estejam endividadas.
TUDO IGUAL
A reforma mais esperada pelo empresariado, a tributária tem, praticamente, o mesmo tratamento dado por Lula e Bolsonaro. Ambos prometem levar adiante medidas no Congresso que preveem a simplificação tributária, mas divergem na forma. Bolsonaro quer fazer a reforma em fases: primeiro, a unificar os tributos federais para, depois, promover a junção com o ICMS.
Lula defende levar adiante a PEC da reforma tributária em discussão no Congresso e defende a criação imediata do IVA, o imposto único que agrega os demais.
IMPOSTO DE RENDA
Ambos anunciam levar adiante a correção da tabela de Imposto de Renda da pessoa física. Lula quer isenção para aqueles que ganham até R$ 5 mil por mês e Bolsonaro para quem ganha até R$ 2.500.
Apesar das promessas, o empresariado ouvido diz não acreditar nisso, já que será preciso engordar o caixa do Tesouro diante de um cenário que aponta para queda global de crescimento, com alta de inflação e juros.