Santiago - A uma semana da votação em que os chilenos decidirão em plebiscito se aprovam ou rejeitam a nova Constituição, as ruas das principais cidades do país tornaram-se palco de manifestações. São esperados 15 milhões de votos no plebiscito, no qual a participação é obrigatória. A votação será no dia 04 de setembro, próximo domingo.
Com a população dividida - porém inclinada a votar contra a proposta, segundo as pesquisas mais recentes, o que se vê nos atos são grupos focados em discutir questões pontuais do novo texto.
Foram realizadas marchas de mulheres defendendo os artigos da nova Constituição que preveem acesso ao aborto e a paridade de gênero na administração pública. Estudantes e indígenas se organizaram em passeatas em apoio à cláusula que define o Chile como um Estado plurinacional e intercultural e reconhece a soberania das nações indígenas --os povos nativos correspondem a 12% da população, mas nem sequer são mencionados na Constituição vigente, herdada da ditadura de Augusto Pinochet.
AMBIENTALISTAS
Grupos de ambientalistas se manifestaram andando de bicicleta, e muitos portavam bandeiras defendendo a aprovação do texto, com reivindicações de pautas ecológicas e símbolos dos mapuches, o grupo indígena mais numeroso do país. A redação da nova Carta preconiza que "a natureza tem direitos" e que "o Estado e a sociedade têm o dever de protegê-los e respeitá-los".
Os que afirmam rejeitar a proposta também fazem campanha nas ruas do Chile. Em Puente Alto, um dos bairros mais pobres da capital, Santiago, um grupo de mulheres carregou faixas em que se liam frases contra o texto.
"Nossa vontade não está expressa na Carta", afirma Marcela Sepúlveda, líder da Corporação de Mulheres e das Tradições Chilenas. "Não aprovamos as novas leis de gênero e queremos deixar isso claro, queremos que nossas tradições sejam respeitadas.