10 de julho de 2026
Política

Com servidores nas ruas, sindicato quer reunião com prefeita Suéllen

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

A audiência pública realizada na sequência à manifestação dos servidores de Bauru, que se reuniram na tarde desta quarta-feira (31) em frente à Prefeitura Municipal e seguiram andando até a Câmara, foi centrada em pontos elencados por vereadores e representantes dos funcionários públicos, como a oficialização por parte do Executivo da afirmação feita pela prefeita Suéllen Rosim (PSC) de que não implantará a reforma da Previdência este ano, e que a prefeita participe da discussão com os setores que representam os trabalhadores municipais sobre as demais alternativas para reduzir o déficit previdenciário do município, sem afetar excessivamente o funcionalismo.

Por conta disso, o encaminhamento ao final do debate foi a reiteração do pedido de uma reunião com a prefeita para os próximos dias.

Por iniciativa da vereadora Estela Almagro (PT), a audiência havia sido agendada com objetivo de debater o futuro do sistema previdenciário e os meios alternativos para a sustentabilidade financeira da Funprev.

Na semana passada, o Sinserm convocou os servidores para a paralisação de um dia como protesto pela possibilidade de alteração no sistema previdenciário do município. A estimativa do sindicato é de que 1.200 servidores aderiram ao movimento e que cerca de 1.500 se envolveram entre o ato na Praça das Cerejeiras e a audiência na Câmara, que foi transmitida por um telão colocado nas escadarias da entrada principal do prédio do Parlamento, já que a galeria da Casa estava totalmente ocupada por servidores.

DESMOBILIZAR

Além dos integrantes do sindicato e de vários vereadores, participaram diretamente do debate representantes dos aposentados e pensionistas; o presidente da Funprev, Sérgio Ricardo Corrêa Alberto, e integrantes dos conselhos da fundação, além do secretário da Administração, Donizete do Carmo dos Santos. Os demais secretários presentes, de Economia e Finanças, Everton Basílio, e de Negócios Jurídicos, Gustavo Bugalho, e chefe de Gabinete, Rafael Lima Fernandes, apenas acompanharam a audiência.

Como mostrou o Jornal da Cidade/JCNET na edição de terça-feira (30), a prefeita Suéllen divulgou, por meio de suas redes sociais, que não implantaria a reforma no sistema previdenciário.

Após sua publicação, a assessoria da prefeitura divulgou as medidas que ela estaria disposta a implementar. "Na véspera de um ato que ela sabia que teria participação maciça dos servidores, ela recuou, mas colocando apenas alternativas que nós já tínhamos discutido, nada oficial ou concreto do que vai ser feito. Ela queria nos desmobilizar? Não conseguiu", afirmou o advogado do sindicato, José Francisco Martins.

Para ele, o efeito da mobilização foi muito positivo por ter suspendido uma decisão que, na sua opinião, já havia sido tomada pela prefeita, e pelo envolvimento dos vereadores, que descartaram a possibilidade de votar qualquer projeto enviado pela prefeita, que trate da reforma ou de opções a ela antes do debate amplo que defina as opções. "Vamos continuar cobrando para que estas alternativas realmente sejam materializadas, e que os debates sejam feitos com a nossa participação", garantiu o advogado.

PALAVRAS

Quando os servidores ainda estavam na Praça das Cerejeiras, a prefeita Suéllen foi até eles e reafirmou as informações que havia divulgado no dia anterior, garantindo que não implantará a reforma enquanto houver possibilidades a serem consideradas. "Se alguém disser o contrário, estará colocando palavras na minha boca. Nós sempre estivemos à disposição do diálogo e para ouvir os servidores", defendeu.

A discussão sobre as alternativas deve se estender pelos próximos meses, segundo ela. "Nosso mandato nunca deixou de ouvir os servidores, pelo contrário".

DECIDO

Um dos pontos debatidos foi a forma como o problema vem sendo tratado pelo Poder Executivo desde o começo do ano. A vereadora Estela mostrou ofício assinado pela prefeita e enviado a Funprev, com data de 25 de julho, onde ela afirma a decisão de implantar a reforma previdenciária.

Porém, o secretário de Administração garantiu que naquele momento o governo ainda analisava opções, e que um outro processo tramitava entre a Funprev e a administração.

O documento foi retirado pela prefeita, após uma audiência sobre o assunto, realizada no início de agosto.