Especialista em energia, o engenheiro Braz Melero morreu, na noite desta quarta-feira (31), aos 73 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia cardíaca. Ele estava internado em São Paulo, no Hospital Oswaldo Cruz.
Executivo aposentado da CPFL, onde trabalhou por décadas, Melero também presidiu, entre abril e outubro de 2004, a Companhia Habitacional de Bauru (Cohab), atuou no Gabinete da Prefeitura de Bauru, e integrou a Comissão de Infraestrutura Aérea Urbana (Coinfra) e a Diretoria da Apae. Foi, ainda, muito participativo no Lions, sendo assessor de Civismo e Cidadania da Governadoria da entidade.
Além das incontáveis entrevistas concedidas ao Jornal da Cidade, ainda escrevia com frequência para o periódico, na coluna Opinião e na Tribuna do Leitor. Em seus textos, normalmente abordava assuntos relativos à energia renovável e analisava a efetividade de Parceria Pública Privada (PPP) no setor e a evolução do segmento.
Na Entrevista da Semana do JC, em março de 2011, relembrou que, em uma época na qual a energia elétrica ainda era um luxo para muitos bauruenses, o menino Braz Melero sonhava em levar o "milagre da eletricidade" para quem não tinha. "Ficávamos esperando o milagre da luz. Para mim, era fascinante passar por uma rua iluminada ou entrar em uma casa com energia elétrica. Foi, então, que surgiu minha preocupação em direcionar ações que pudessem minimizar a angústia e o desconforto de famílias sem energia", contou.
Com o passar dos anos, o sonho cresceu com o garoto, que se preparou e passou em um processo seletivo da CPFL. Dez meses depois, ele foi o primeiro gerente do recém-criado Setor Técnico de Marília, que abrangia 14 cidades.
O próximo passo foi ser também o primeiro gerente do maior distrito da CPFL, o de Campinas Sul, e, depois, voltar a Bauru para assumir a Regional, que cobria 88 localidades e era o mais elevado nível que um empregado poderia atingir na empresa.
Melero também relembrou, naquela entrevista, que veio de uma família humilde. Seu pai era caminhoneiro e a mãe cuidava de sete filhos. O primeiro emprego foi aos 12 anos de idade, em uma lavanderia. Fazia coleta e entrega de roupas. Seu veículo era uma bicicleta.
Na época, já tentou ingressar na CPFL como leiturista, sempre visando ascensão profissional, mas não conseguiu.
Também trabalhou durante oitos anos na multinacional Texaco, até, finalmente, entrar na CPFL, através de um processo seletivo, em 1972, aos 22 anos. De lá até se aposentar, fez uma carreira de sucesso na companhia de energia.
VOLUNTARIADO
O trabalho de Braz Melero em prol dos mais necessitados também merece ser lembrado. Começou com o voluntariado em meados da década de 70, quando foi para Marília, já na CPFL. "Foram unidas algumas forças vivas na cidade no sentido de construir um prédio novo para a Apae, já que a instalação da época estava em lugar inadequado. A filosofia da empresa (CPFL), na época, não permitia que se fosse um mero fornecedor de energia, ela previa a participação na comunidade. No início, foi realmente pela filosofia da CPFL, mas, depois, fui me envolvendo e percebi o quanto a filantropia proporciona bem e prazer. Sou vice-diretor da Apae de Bauru há oito anos, mas estou na instituição desde o início da década de 70", narrou, em 2011, ao JC.
Braz Melero deixa a esposa Maria Cristina Ferreira Melero; os filhos Mônia, Fábio, Sindia e Mariane; além dos netos Beatriz, Gabriel Diogo e Elisa.
Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Saudade, na tarde desta quinta-feira (1).