Primeira e principal porta de entrada para atendimentos via SUS, a Rede de Atenção Primária de Saúde tem ganhado reforços neste 2022, em Bauru. Um dos principais passos dados pela prefeitura tem sido a conversão das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para Unidades de Saúde da Família (USF). Compostas por equipes multidisciplinares e não apenas por médicos e enfermeiros como nos postos de saúde, as USFs são consideradas diferenciadas por garantirem, além de maior acompanhamento da população, a promoção da prevenção de doenças por localidades (veja mais sobre a diferença no quadro).
Está prevista para este mês, inclusive, a inauguração da USF Jardim Godoy, que funcionava até então como UBS. Por ser tripartite, o Programa de Saúde da Família garantirá que a unidade passe a ser custeada também com recursos da União e do Estado.
A contratação de três equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) para reforçar o novo perfil da USF do Jd. Godoy foi publicada em Diário Oficial do último dia 25 de agosto.
Em maio deste ano, a UBS de Tibiriçá também foi transformada em USF pela gestão Suéllen Rosim.
As mudanças em questão são vistas como positivas pelo Conselho Municipal de Saúde.
DIAGNÓSTICO E AMPLIAÇÃO
Em nota, o Executivo diz que tem realizado um "diagnóstico situacional" das áreas de maior vulnerabilidade social no município para definição de outras localidades propensas a receberem USFs.
"O planejamento é traçado em conjunto com os Conselhos Gestores, Conselho Municipal de Saúde, articulação intersetorial e dados epidemiológicos e demográficos", informa a prefeitura.
Até dezembro de 2019, Bauru possuia 6 USFs com 13 equipes. Diante da inauguração das unidades de Tibiriçá (maio) e do Jd. Godoy (agora), a cidade passará a contar com 8 USFs contendo 16 equipes. Ao mesmo tempo em que as transformações reduziram o total de UBSs na cidade, houve um aumento do número de profissionais nessas unidades. Em 2019, eram 19 UBSs com 29 equipes. Agora, o município possui 16 UBSs, mas com 42 equipes.
"Em dezembro de 2020, a cobertura de Atenção Primária em Saúde (APS) era de 44,87%. Atualmente é de 53.81% credenciada (e-gestor) e a meta é chegar a 60%", projeta o município.
DIFERENCIAIS
A prefeitura ressalta que o modelo USF é considerado como estratégia de expansão, qualificação e consolidação da Atenção Primária, "por favorecer uma reorientação do processo de trabalho com maior potencial de ampliar a resolutividade e impactar na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade".
Isso porque nas USFs há a obrigatoriedade da carga horária de 40 horas semanais para todos os profissionais.
Em Bauru, os grupos são compostos por um enfermeiro, um médico, dois técnicos de enfermagem e seis agentes comunitários de Saúde. Podem fazer parte dessas equipes ainda os agentes de combate às endemias e os profissionais de saúde bucal (cirurgião-dentista e auxiliar ou técnico em saúde bucal).
O número de trabalhadores é definido com base em critérios demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos de cada localidade.
"Já as equipes das UBSs são compostas por médico e enfermeiro com carga de 20 ou 30 horas semanais", diferencia a prefeitura.
Na cidade, parte das contratações para as USFs é feita via chamamento público junto à Sorri. Já os agentes comunitários são contratados por meio da Fersb.