Brasília - A coincidência das datas fez com que os 200 anos da Independência do Brasil ocorresse em ano de polarização eleitoral. De um lado entra a celebração cívico-militar do 7 de Setembro, por si só uma data festiva, turbinada este ano por ocasião do Bicentenário da Independência. De outro, a campanha política, com a escolha do novo presidente da República, em campanha também turbinada com fake news dos dois lados, situação e oposição, enfim a chamada polarização.
SEM RISCO
Além das campanhas eletiva, disputas judiciais, críticas governamentais ao sistema de urnas eletrônicas, impera outra defesa: a da democracia. Banqueiros e empresários se uniram à sociedade civil em manifestos democráticos: tudo para afastar o País de alguma insinuação de aventura autoritária.
Autoritarismo que o País vivia quando em 1972 comemorou, aí sim, com megaproduções, os 150 anos da ruptura com Portugal.
SESQUICENTENÁRIO
Décadas antes de o governo Bolsonaro trazer o coração de d. Pedro I, os demais restos mortais do primeiro imperador do Brasil foram trasladados para o lado de cá do Atlântico com pompa muito maior. Entre abril e setembro de 1972, a urna com os despojos do monarca peregrinou pelos quatro cantos do país, visitando capitais do Rio Grande do Sul à Amazônia e atraindo milhares por onde passava.
A festividade do chamado Sesquicentenário da Independência, o governo do general Emílio Garrastazu Médici só se tornou possível porque, em 1972, o Brasil vivia o chamado milagre econômico, durante o qual o PIB do país chegou a crescer a taxas anuais de mais de 10% a partir do final dos anos 1960. A sensação de bem-estar material era acompanhada pela euforia em torno do tricampeonato da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México.
PORTUGAL FESTEJA
Portugal também festeja os 200 anos da independência do Brasil. Os brasileiros são hoje a maior comunidade estrangeira na terra de Cabral: 250 mil. Um dos cardápios mais robustos foi preparado pelo Fórum de Integração Brasil Europa (Fibe), cuja programação começou em encontro entre o cantor português António Zambujo e o músico brasileiro Yamandu Costa.
SEM FRAGMENTAÇÃO
Para o Fibe, presidido pelo professor Vitalino Canas, é fundamental comemorar o fato que "a independência brasileira teve características peculiares no cenário internacional e de época. Não envolveu uma ruptura contra seu antigo colonizador tão comum em outras colônias", ressalta.