10 de julho de 2026
Internacional

Corte de gás ameaça rachar coalizão de direita na Itália

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Milão - Um dos principais líderes políticos da Itália, parte da coligação com maior chance de vencer a eleição de 25 de setembro, o populista de ultradireita Matteo Salvini passou os últimos dias condenando sanções contra a Rússia, estratégia central da aliança do Ocidente para responder à Guerra da Ucrânia. Em sua visão, os objetivos não foram alcançados e os efeitos na economia prejudicam empresas e famílias.

As falas, além de ecoarem argumentos de Moscou, destoam tanto do discurso da frente europeia, que se esforça para aparentar e manter união em torno das medidas, quanto da sua mais importante aliada na disputa eleitoral, Giorgia Meloni. A líder do Irmãos da Itália tem repetido que manterá a política externa de Mario Draghi -pró-Ucrânia e pró-sanções- caso se torne primeira-ministra.

"A Europa impôs as sanções. Deveria parar a guerra, não aconteceu. Deveríamos deixar [Vladimir] Putin de joelhos, não estamos conseguindo. De joelhos estão milhões de trabalhadores e trabalhadoras na Itália e na Europa", afirmou Salvini nesta terça (6).

INTERESSE

No domingo, em um evento para empresários, ele dedicou quase todos os dez minutos de sua apresentação para rechaçar as medidas contra a Rússia. "Queremos ir em frente com as sanções? Ok. Queremos proteger a Ucrânia? Sim. Mas não gostaria que, em vez de fazer mal ao sancionado, fizéssemos mal a nós mesmos", disse. "Me acusam de ser enviado do Putin, mas defendo o interesse italiano."

CORTE DO GÁS

As declarações chamam a atenção pelo fato de, entre uma fala e outra, a Rússia ter interrompido, nesta segunda (5), o fornecimento à Europa pelo gasoduto Nord Stream 1, com a afirmação de que a decisão não será revertida enquanto as sanções não forem derrubadas.

Segundo o Kremlin, a suspensão ocorre por problemas técnicos causados pelas sanções, que teriam dificultado a manutenção. As autoridades da UE rejeitaram a justificativa e acusaram Moscou de usar o gás como arma de chantagem. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou que uma resposta está sendo preparada, com auxílios, redução do consumo e teto no preço do gás.