Na opinião do administrador Diogo Angioleti, especialista em finanças e comportamento do sistema de cooperativas de crédito Ailos, ao comprar supérfluos, a pessoa pega atalhos para lidar com as próprias frustrações. "A gente acha que sabe mexer com dinheiro, mas não fomos educados para isso, e acabamos cada vez mais endividados e frustrados."
A saída passa, necessariamente, pela educação financeira. "A BNCC [Base Nacional Comum Curricular] incluiu no final de 2017 educação financeira entre os temais transversais que devem constar nos currículos de todo o país. Mas é preciso fazer mais, a disciplina não está no eixo obrigatório."
Para Angioleti, ao trazer o tema para o contexto pedagógico, é possível ajudar as próximas gerações a quebrarem o tabu de falar sobre dinheiro, algo que tem fortes raízes históricas e culturais.
A primeira coisa a fazer é desmistificar ainda em casa essa ideia, diz Paula Sauer. "Quando uma criança pergunta para a mãe ou o pai por que eles têm que sair para trabalhar, a resposta não é 'para ter dinheiro para comprar comida, brinquedos, passeios'", afirma. "Se você responder isso, a criança vai associar o trabalho a algo penoso. O correto é dizer que vai trabalhar porque gosta do que faz, porque vai ajudar outras pessoas de alguma maneira, e que de quebra ainda vai conseguir um dinheiro para juntos fazerem coisas legais."
Mariana Rocha, principal executiva de marketing da fintech Mozper, concorda. "As crianças precisam entender que o trabalho é algo prazeroso, mas que não vai lhes dar todo o dinheiro do mundo", diz ela.
A proposta da startup é ajudar os pais a educar crianças e adolescentes para tomar decisões financeiras responsáveis, a partir da adoção de um cartão de crédito pré-pago, administrado via aplicativo por um adulto. "Mas não existe inclusão financeira sem educação."