09 de julho de 2026
Esportes

Jornalismo perde histórias e escrita de Silvio Lancellotti


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O jornalista Silvio Lancellotti, 78 anos, morreu, nesta terça-feira (13), devido a sequelas decorrentes de um infarto. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Paulo, localizado na Capital. O profissional teve uma carreira de mais de 50 anos.

Primeiro comentarista brasileiro especializado em futebol internacional, Sílvio Lancellotti, era atualmente colunista no Portal R7 (desde 2012). Torcedor do Corinthians e da Juventus (ITA), foi uma referência e cobriu oito Copas do Mundo, além de trabalhar em diversos veículos nacionais como repórter e colunista.

Citava de memória as matérias que fez, lembrava-se de trechos. Lancellotti não gostava apenas de contar o que escreveu. Tinha mais prazer em relatar o processo, como chegou até a reportagem enviada. Eram histórias, muitas vezes, mais fantásticas do que o texto em si.

Como a afirmação de que saltou de um helicóptero ainda em voo na volta de Cagliari para Roma após um Holanda x Inglaterra. Ou como dizia ter parado o carro no meio da estrada, nos Estados Unidos, para telefonar à redação e informar que Maradona havia tido teste positivo no doping após o jogo contra a Nigéria, em 1994.

Nas colunas que redigiu como articulista, colocou no vocabulário do futebol brasileiro termos esquecidos, como "cotejo" e "pugna", em vez de "partida" ou "jogo". Algo que havia ocorrido na semana anterior poderia ser no "próximo passado." Lancellotti tinha orgulho de resgatar essas expressões. Acreditava dar uma contribuição cultural para o jornalismo esportivo.

Como comentarista do Campeonato Italiano, marcou época na Bandeirantes entre o final dos anos 1980 e o início dos 1990. Depois, faria o mesmo na ESPN. Suas histórias na emissora se tornaram lendárias. A paixão pela comida é anterior à fama das transmissões de partidas internacionais.

O chef de cozinha veio antes do jornalista dono das informações que ninguém mais tinha. "Se um zagueiro sueco tropeça no treino, o Silvio fica sabendo", elogiou o narrador Luciano do Valle, antes de transmissão da Copa do Mundo de 1994.

Formado em arquitetura, Lancellotti teve programas sobre culinária na TV brasileira por mais de uma década. Lembrava-se de receitas mesmo nos comentários de futebol. Sempre adorou a gastronomia.

Com limitações de locomoção devido a um acidente automobilístico, ele passou os últimos anos de vida sentado em frente ao computador, a digitar sem parar. Era blogueiro do portal R7 e se tornou autor de "thrillers" policiais.

Um deles, "Honra ou Vendetta" foi adaptado para novela na Rede Record com o nome de "Poder Paralelo". O último deles, "Assassinos do Abecedário", foi lançado no final de agosto deste ano.

Lancellotti deixa a mulher, Vivian, os filhos Eduardo, Daniela, Giulia, Luísa e o enteado José Renato.