08 de julho de 2026
Esportes

O talento se retira


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O tenista suíço Roger Federer anunciou, nesta quinta-feira (15), a sua aposentadoria do esporte. Um dos maiores astros do tênis mundial e considerado por muitos como o maior tenista de todos os tempos, ele afirmou que a Laver Cup, da próxima semana, será seu último torneio ATP. 

Federer reunia um arsenal de ferramentas, aliado à completa compreensão do jogo, que o tornaram praticamente imbatível durante boa parte de sua carreira. Além disso, possuía uma técnica e precisão inigualáveis. Tudo isso, aliado ao seu carisma, o tornaram o grande ídolo do tênis neste século.

"Como muitos de vocês sabem, os últimos três anos me apresentaram desafios na forma de lesões e cirurgias. Trabalhei duro para voltar à plena forma competitiva. Mas eu conheço meu corpo e seus limites e os sinais que ele vem me dando são claros. Estou com 41 anos, joguei mais de 1.500 partidas em 24 anos. O tênis me tratou com mais generosidade do que eu jamais teria sonhado e agora devo reconhecer quando é hora de encerrar minha carreira competitiva", disse Federer, em carta de despedida.

"A Laver Cup da próxima semana em Londres será meu último evento ATP. Vou jogar mais tênis no futuro, é claro, mas não em Grand Slams ou no circuito." 

Roger Federer tem, na carreira, 20 títulos de Grand Slam: oito em Wimbledon (2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009, 2012, 2017), seis no Australian Open (2004, 2006, 2007, 2010, 2017, 2018), cinco no US Open (2004, 2005, 2006, 2007, 2008) e um em Roland Garros (2009), sendo o terceiro do mundo em troféus atrás de Rafael Nadal (22) e Novak Djokovic (21).

Federer ganhou o ouro olímpico em duplas para a Suíça ao lado de Stan Wawrinka em Pequim-2008, e prata em simples em Londres-2012. Ele se aposenta com 103 títulos no total e R$ 683 milhões em prêmios.

FEITOS

Durante algum tempo, o tamanho da lenda de Roger Federer no tênis foi medido principalmente pelos recordes que o atleta estabeleceu ao longo de sua carreira. Ele é o único tenista a ter conseguido por três vezes vencer três dos quatro torneios do Grand Slam na mesma temporada. O suíço é ainda o tenista com mais tempo no topo do ranking da ATP: 310 semanas como número 1 do mundo, entre 2004 e 2018. Em fevereiro de 2018, com 36 anos e meio, tornou-se o tenista mais velho a assumir o topo do ranking da ATP.

Para além das marcas, o suíço transcendeu o esporte como nenhum outro. A biografia "The Master: The Long Run and Beautiful Game of Roger Federer", escrita pelo jornalista estadunidense Christopher Clarey, aponta alguns caminhos para entender o fenômeno, e o primeiro está no que ocorre dentro de quadra. "É como Messi jogando futebol. Você assiste e vê que é elegante, gracioso. Nem precisa jogar tênis para gostar."

Outra explicação, mais complexa, é o grande arco de emoções humanas preenchido por sua trajetória: o nível de excelência, o choro nas vitórias e derrotas, a exposição pública, o senso de empatia e a vulnerabilidade. Tudo isso compõe o pacote do ícone Roger Federer.

Federer virou um ícone por sua atuação dentro dos limites do esporte. "Poucas controvérsias e poucos vislumbres de sua vida pessoal; muita cordialidade e espírito esportivo", escreve Clarey no livro. "Entediante? De modo algum. Como alguém que une pessoas em um mundo dividido poderia ser fonte de tédio?"

Presidente da ATP, Andrea Gaudenzi afirmou que o impacto de Federer e o legado que ele construiu no tênis são enormes. "Ao longo de 24 anos como profissional, Roger trouxe milhões de fãs para o jogo. Ele liderou uma incrível nova era de crescimento e elevou a popularidade do nosso esporte. Poucos atletas transcenderam seu campo dessa maneira. Roger fez com que todos nos sentíssemos orgulhosos e afortunados por fazer parte do mesmo esporte."

A importância e o legado de Federer para o tênis vão além das jogadas magistrais, diz Fernando Meligeni. "O esporte vive de ídolos. E ele é o cara que há 20 ou 30 anos carrega a bandeira do tênis no mundo. Ele faz a roda andar, ele vem para o Brasil e junta 15 mil pessoas que vão lá só para ver ele jogar", afirma.

Federer se retira das quadras tênis deixando a modalidade maior do que a encontrou. E o próprio ressalta a lembrança que quer deixar. "Se eu pudesse escolher meu legado, seria que as pessoas se lembrassem das sensações que tiveram ao assistirem as minhas partidas", resumiu.